Crianças prodígio

11 de janeiro de 2010

Tem como alguém não gostar de odiar crianças prodígio? Crianças que decoram scripts e respondem tudo que os adultos politicamente corretos gostariam de não só responder, mas fazer também (mas só de mentirinha). Crianças que queriam acabar com o aquecimento global, mas ninguém explicou pra elas que ela terá que abrir mão do seu querido ar-condicionado, do carro que as leva para o shopping, e da maioria dos seus brinquedos. Ahh, elas são inteligentes para saber falar sobre aquecimento global e violência, mas não conseguem compreender o impacto das coisas em seu dia-a-dia ??

Já não gosto de discursos vazios, pessoas que adoram falar bonito e pregar a paz entre os humanos, mas no fundo tão mais interessados em passar aquela imagem de bom moço enquanto sorrateiramente eles entram no quarto de suas filhas e as convencem de que isso é pelo bem da humanidade… Tá bom, tá bom, nem sempre eles serão tarados ninfomanícos, mas acho que vocês entenderam a idéia geral.

Voltemos às crianças que decoram esses discursos e trabalham da mesma forma que bebês, que ao perceberem que chorando podem conseguir bebida, choram o tempo todo. Essas crianças percebem que falando bonito (mesmo que não entendam), ganham atenção dos adultos. And that’s what it’s all about…

Os Nerds – Parte II

9 de janeiro de 2010

[Leia a primeira parte da história aqui]

Depois de perder a virgindade, o agora ex-nerd não se torna burro, muito pelo contrário, logo após a primeira relação (e por mais alguns meses ou anos) todos os seus esforços são concentrados para conseguir repetir o ato, ele se torna um caçador. Um caçador patético e ainda sem as aptidões sociais necessárias para conseguir sexo constante, mas ainda assim um caçador. É como se ele se desligasse da Matrix e precisasse descobrir como andar de novo, e nesse momento os pesquisadores do Discovery Channel ficariam impressionados com os desdobramentos dessa mudança.

O ex-nerd pode tomar diversos caminhos em sua nova vida, porém vamos nos concentrar primeiramente em dois, e peço desculpas a todos mas farei apenas uma análise superficial dessas mutações. É bom lembrar também que essa mudança de hábitos depende única e exlusivamente da idade em que o nerd descobre o sexo, no caso do nosso amigo do exemplo anterior, com 40 anos ele não vai conseguir entrar pra academia e virar um marombeiro, mas ele com certeza não se interessará tanto por xadrez e certamente não terá toda a “paciência” do mundo para ver Harry Potter com o seu sobrinho mais novo (paciência entre aspas porque os não-nerds acham que ele está fazendo aquilo por ser paciente e gostar de crianças, mas na verdade ele está quase molhando suas calças tamanha a sua alegria ao rever aquele filme pela quinquagésima terceira vez). Mas vamos contrariar as estatísticas, vamos supor que um determinado indivíduo nerd conseguiu a proeza de perder a virgindade com 18 anos (e eu estou contrariando MUITO as estatísticas e todos os estudos realizados com essa espécie, coloque mais uns 7 ou 8 anos aí e você terá a média de idade em que o nerd consegue perder a virgindade, não que ele não tenha tentado antes mas…), basicamente ele vai escolher entre usar seu intelecto para formular teorias e planos para conseguir sexo novamente, ou vai abrir mão de tudo e tentar entrar pra academia e se juntar ao resto dos humanos.

Supondo que ele tenha escolhido o 2º caminho, ele pode ter uma distenção muscular devido aos anos de sedentarismo e aí desistir de vez e se trancar num quarto escuro com seus action figures, ou por algum milagre (ou um gene recessivo) ele consegue aguentar o tranco e seu corpo começa a passar por transformações. A cerveja e o Axé Music ajudam muito nesse processo de transformação, mas não pensem que esse é um processo imediato, ele ainda vai passar por dezenas de micaretas beijando apenas o rejeito de outros jovens mais preparados que ele, mas é a lei da sobrevivência. Ele não é um macho alfa, pode ser que um dia se torne mas ainda não é, e precisa se adaptar à sociedade… É um processo doloroso e quem sobrevive… Bem, depois de centenas de micaretas e litros de álcool, não sobram muitas capacidades cognitivas nesse indivíduo e todas as tentativas de entrevistas e estudos falharam miseravelmente. A atividade cerebral não era grande o suficiente para qualquer resultado proveitoso.

Agora que já sabemos o que acontece com o 2º grupo, podemos descartá-los, certo? Nosso foco é o 1º grupo… As transformações sofridas por um ex-nerd que decide tentar continuar sendo um nerd são bem dolorosas, de início é difícil compreender que você não faz mais parte daquele grupo, seus próprios amigos -mesmo não sabendo que você não é mais virgem- passam a te tratar diferente e você passa um bom tempo em uma espécie de limbo.

Tente contar a seus amigos que você não é mais virgem… Vamos lá, experimente… … Não deu muito certo, né? Diferente do que acontece em outros círculos sociais, no microverso nerd, quando alguém tenta compartilhar sua experiência sexual com seus amigos mais próximos ele é visto como alguém que está tentando humilhá-los, demonstrar superioridade, algo como:  “E aí seus merdas? Continuam se excitando vendo a Chun-Li?“.

A partir desse ponto, o ex-nerd precisa encontrar um novo círculo, e novamente as circunstâncias de sua vida decidirão qual caminho ele poderá escolher. Não pense que é uma escolha filosófica e difícil… Nada disso, bem longe disso. É muito simples, caso ele tenha dinheiro vira um geek, caso contrário um frustrado colecionador de revistinhas nacionais.

Mas que complicação! Afinal, o que é um geek? Um ex-nerd (e ex-virgem), que continua não fazendo muito sexo, mas em compensação tem zilhões de gadgets eletrônicos e uma inteligência acima da média. Você deve estar pensando: “Ora, então é a evolução natural do nerd.” e eu te digo que se existe algo que NÃO é natural, é um nerd perdendo a virgindade, então não é como um pokémon que participou de muitas lutas e evoluiu (apesar disso também ser bem patético), é mais como alguém desesperado em busca de uma identidade, ou o E.T. tentando ligar pra casa com um gravador e um guarda-chuva.

Gadgets eletrônicos e a necessidade de estar sempre sabendo qual a última descoberta no meio científico, são os pontos principas desta nova vida. E é bem amplo assim mesmo, pode ser o cientista que estuda o sistema digestivo de uma larva ou então um chinês que “criou” o aPhone (acreditem, isso é REAL, um genérico do iPhone), e se o assunto em questão envolver bluetooth, aí mesmo é que ele vai querer saber tudo que há para saber sobre o assunto.

Bom, acho que por hora chega de explicações, né? Creio que agora vocês conseguirão compreender um pouco melhor a história de Alexandre, o Pequeno:

1,58cm de altura. Desde seus 15 anos era essa a sua altura definitiva, não que isso o incomodasse, afinal ele já estava acostumado, mas era chato quando as mulheres bagunçavam seu cabelo e falavam “que gracinha“, e por mulheres eu estou dizendo as meninas de 16, 17 anos. Não que ele se importasse com isso também, já que ele já havia aceitado o fato de que ele seria “uma gracinha” para sempre, um nerd em miniatura condenado a ter suas bochechas apertadas por tias-avós pelo resto da vida. Life’s though nigga, e ele sabia bem disso.

Sua rotina era bem simples, escola-biblioteca-curso de inglês (ou espanhol, alemão, russo, mandarim… conforme terminava um, começava outro) e voltava para casa. Sem grandes aventuras, stress ou correria que os humanos normais experimentavam. Para ele, a vida só valia a pena se pudesse estudar o máximo possível, como todo nerd que se preza, ele achava que mulheres eram apenas uma distração.

E aqui, nesse ponto da história, é preciso explicar que as pessoas não conseguem ver nada além do seu próprio microverso, não por arrogância de achar que seu microverso é superior aos outros, as pessoas simplesmente (como se o conceito de microverso fosse simples…) não conseguem compreender as necessidades alheias que sejam diferentes das suas. Agora multiplique isso por 10 e coloque essa característica em uma pessoa que não gosta de se relacionar com outros seres humanos… DING! Seu nerd particular acaba de sair do forno.

Tentem compreender, ele não fazia por mal, mas Alexandre não conseguia notar as segundas intenções que a bibliotecária tinha com ele…

Bibliotecária

[Continua...]

No llores por mi, Argentina

18 de dezembro de 2009

Dizem que a primeira vez a gente nunca esquece, pode até ser verdade mas por via das dúvidas, é melhor anotar tudo.

Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, dia 26 de Novembro de 2009. Gostaria de conhecer uma pessoa organizada a tal ponto que conseguisse dormir as 8 horas de sono recomendadas, na véspera de uma viagem, pois eu já desisti desse objetivo, sempre deixo tudo para a última hora e durmo no máximo 4 horas, não que eu durma mais que isso nos outros dias mas isso é outra história… Enfim, poucas horas de sono, e aquela espera interminável para embarcar me fizeram ter algumas alucinações, juro que vi um anão punk (e depois de ter visto uma anã gótica no apagão que atingiu todo o sudeste do Brasil, começo a achar que é perseguição).

Tentei afastar esses pensamentos de minha cabeça e me concentrar na viagem, impossível com aquele lanche servido pela Gol… Tudo bem que eu sou um dos poucos que não gostam de alface e tomate, mas eu duvido que existam muitas pessoas que gostem de comer um pão velho e gelado, com alface, tomate e queijo… Pepsi para beber mas… Peraí!! Pepsi Light? Quem em sã consciência bebe essa aberração? Acho que eles queriam testar a eficácia dos saquinhos de vômito… Sorte que não houveram turbulências, mas muita sorte mesmo. Desconfio que o efeito de Pepsi Light com um pão velho e gelado, seja até mais catastrófico do que misturar Coca-Cola com Menthos…

Sobrevivi, e descemos em Buenos Aires, a cidade que todos falam que é a Paris da América do Sul… Só que ao invés de ter uma moeda que vale 3 vezes a nossa, tem uma economia quebrada com o peso argentino valendo R$0,48, ou seja, é a Paris da América do Sul porque nos sentimos ricos europeus por lá. Claro, a arquitetura e o clima ajudam bastante, mas a economia é que deve ser o motivo principal para este “apelido“.

Já no hotel, enquanto a namorada colocava as malas no lugar, eu fui marcar meu território argentino, depois deitei na cama e fui avisado de que estávamos atrasados para nosso primeiro passeio, num parque repleto de rosas (só fui saber isso quando cheguei lá), andamos a tarde inteira, descobrimos uma galeria de arte (Sivori), shopping center e quando retornamos ao hotel é que percebi que estava com o zíper da calça aberto durante todo esse tempo. Foi então que entendi o motivo de toda argentina que eu vi, estar sorrindo pra mim. Elas me olhavam, sorriam e ficavam ruborizadas, e eu achando que estava fazendo sucesso em terras estrangeiras, estava era passando vergonha.

Malabaristas desempregados existem em todos os cantos do mundo, e não é porque Buenos Aires possui uma arquitetura com influências européias que vai conseguir escapar desse mal… Os que foram rejeitados no Circo de Soleil também aproveitam os sinais espalhados pela principal avenida da cidade para tentar ganhar uns trocados. Me disseram que isso é por conta da crise, mas eu acho que é falta de talento mesmo… Enfim.

Próximo post será o relato sobre minha incansável busca por alfajores e por um pouco de sono.

Catarse

8 de dezembro de 2009

O que aconteceu de ontem pra hoje? Trocaram o mundo inteiro e eu não percebi?

Chego cedo no trabalho e percebo que estou trancado do lado de fora, aguardo 52 minutos e tudo transcorre normalmente… Vou na cantina para beber minha vitamina e vejo dois homens se engolindo. Sério, nada contra mesmo, mas aquele tipo de beijo não é coisa de lugar público, nem se fossem dois ninfomaníacos, dois coelhos, zebras ou o que for… A menos que fosse um exame de amigdalite, mas isso não se examina na cantina de uma faculdade, certo? Nem se fosse de medicina.

Volto pra minha sala e ouço a seguinte frase: “A roda foi inventada por um designer” … APAPORRA!!!! Designer ‘mermão? Um designer inventou a roda? Mas nem se fosse a roda da… deixa pra lá …Enfim, as pessoas não deveriam se drogar antes de trabalhar. Taí, junto com a campanha “Se beber não dirija” deveriam lançar “Se alucinar, não trabalhe“, ácido e trabalho definitivamente não combinam.

E não são nem meio-dia ainda… Ahhh como eu adoro as Segundas :-)

Escrito via web em Oh crap

Orientação

3 de dezembro de 2009

Se oriente meu irmão.

Não deixe que a rotina te engula, nem que o ócio lhe prenda. Se liberte sem medo.

Se oriente e encontre um novo caminho, pouco importa se é definitivo ou não. É sempre importante lembrar que a melhor parte é aproveitar o caminho que está sendo trilhado, ter em mente um objetivo, uma meta, mas deixar que esta chegue naturalmente, sem pressa.

Caso contrário, você nunca poderá apreciar a paisagem.

E onde a sorte há de te levar, saiba o caminho é o fim mais que chegar” – The Next Time Around, Little Joy