[Leia a primeira parte da história aqui]
Depois de perder a virgindade, o agora ex-nerd não se torna burro, muito pelo contrário, logo após a primeira relação (e por mais alguns meses ou anos) todos os seus esforços são concentrados para conseguir repetir o ato, ele se torna um caçador. Um caçador patético e ainda sem as aptidões sociais necessárias para conseguir sexo constante, mas ainda assim um caçador. É como se ele se desligasse da Matrix e precisasse descobrir como andar de novo, e nesse momento os pesquisadores do Discovery Channel ficariam impressionados com os desdobramentos dessa mudança.
O ex-nerd pode tomar diversos caminhos em sua nova vida, porém vamos nos concentrar primeiramente em dois, e peço desculpas a todos mas farei apenas uma análise superficial dessas mutações. É bom lembrar também que essa mudança de hábitos depende única e exlusivamente da idade em que o nerd descobre o sexo, no caso do nosso amigo do exemplo anterior, com 40 anos ele não vai conseguir entrar pra academia e virar um marombeiro, mas ele com certeza não se interessará tanto por xadrez e certamente não terá toda a “paciência” do mundo para ver Harry Potter com o seu sobrinho mais novo (paciência entre aspas porque os não-nerds acham que ele está fazendo aquilo por ser paciente e gostar de crianças, mas na verdade ele está quase molhando suas calças tamanha a sua alegria ao rever aquele filme pela quinquagésima terceira vez). Mas vamos contrariar as estatísticas, vamos supor que um determinado indivíduo nerd conseguiu a proeza de perder a virgindade com 18 anos (e eu estou contrariando MUITO as estatísticas e todos os estudos realizados com essa espécie, coloque mais uns 7 ou 8 anos aí e você terá a média de idade em que o nerd consegue perder a virgindade, não que ele não tenha tentado antes mas…), basicamente ele vai escolher entre usar seu intelecto para formular teorias e planos para conseguir sexo novamente, ou vai abrir mão de tudo e tentar entrar pra academia e se juntar ao resto dos humanos.
Supondo que ele tenha escolhido o 2º caminho, ele pode ter uma distenção muscular devido aos anos de sedentarismo e aí desistir de vez e se trancar num quarto escuro com seus action figures, ou por algum milagre (ou um gene recessivo) ele consegue aguentar o tranco e seu corpo começa a passar por transformações. A cerveja e o Axé Music ajudam muito nesse processo de transformação, mas não pensem que esse é um processo imediato, ele ainda vai passar por dezenas de micaretas beijando apenas o rejeito de outros jovens mais preparados que ele, mas é a lei da sobrevivência. Ele não é um macho alfa, pode ser que um dia se torne mas ainda não é, e precisa se adaptar à sociedade… É um processo doloroso e quem sobrevive… Bem, depois de centenas de micaretas e litros de álcool, não sobram muitas capacidades cognitivas nesse indivíduo e todas as tentativas de entrevistas e estudos falharam miseravelmente. A atividade cerebral não era grande o suficiente para qualquer resultado proveitoso.
Agora que já sabemos o que acontece com o 2º grupo, podemos descartá-los, certo? Nosso foco é o 1º grupo… As transformações sofridas por um ex-nerd que decide tentar continuar sendo um nerd são bem dolorosas, de início é difícil compreender que você não faz mais parte daquele grupo, seus próprios amigos -mesmo não sabendo que você não é mais virgem- passam a te tratar diferente e você passa um bom tempo em uma espécie de limbo.
Tente contar a seus amigos que você não é mais virgem… Vamos lá, experimente… … Não deu muito certo, né? Diferente do que acontece em outros círculos sociais, no microverso nerd, quando alguém tenta compartilhar sua experiência sexual com seus amigos mais próximos ele é visto como alguém que está tentando humilhá-los, demonstrar superioridade, algo como: “E aí seus merdas? Continuam se excitando vendo a Chun-Li?“.
A partir desse ponto, o ex-nerd precisa encontrar um novo círculo, e novamente as circunstâncias de sua vida decidirão qual caminho ele poderá escolher. Não pense que é uma escolha filosófica e difícil… Nada disso, bem longe disso. É muito simples, caso ele tenha dinheiro vira um geek, caso contrário um frustrado colecionador de revistinhas nacionais.
Mas que complicação! Afinal, o que é um geek? Um ex-nerd (e ex-virgem), que continua não fazendo muito sexo, mas em compensação tem zilhões de gadgets eletrônicos e uma inteligência acima da média. Você deve estar pensando: “Ora, então é a evolução natural do nerd.” e eu te digo que se existe algo que NÃO é natural, é um nerd perdendo a virgindade, então não é como um pokémon que participou de muitas lutas e evoluiu (apesar disso também ser bem patético), é mais como alguém desesperado em busca de uma identidade, ou o E.T. tentando ligar pra casa com um gravador e um guarda-chuva.
Gadgets eletrônicos e a necessidade de estar sempre sabendo qual a última descoberta no meio científico, são os pontos principas desta nova vida. E é bem amplo assim mesmo, pode ser o cientista que estuda o sistema digestivo de uma larva ou então um chinês que “criou” o aPhone (acreditem, isso é REAL, um genérico do iPhone), e se o assunto em questão envolver bluetooth, aí mesmo é que ele vai querer saber tudo que há para saber sobre o assunto.
Bom, acho que por hora chega de explicações, né? Creio que agora vocês conseguirão compreender um pouco melhor a história de Alexandre, o Pequeno:
1,58cm de altura. Desde seus 15 anos era essa a sua altura definitiva, não que isso o incomodasse, afinal ele já estava acostumado, mas era chato quando as mulheres bagunçavam seu cabelo e falavam “que gracinha“, e por mulheres eu estou dizendo as meninas de 16, 17 anos. Não que ele se importasse com isso também, já que ele já havia aceitado o fato de que ele seria “uma gracinha” para sempre, um nerd em miniatura condenado a ter suas bochechas apertadas por tias-avós pelo resto da vida. Life’s though nigga, e ele sabia bem disso.
Sua rotina era bem simples, escola-biblioteca-curso de inglês (ou espanhol, alemão, russo, mandarim… conforme terminava um, começava outro) e voltava para casa. Sem grandes aventuras, stress ou correria que os humanos normais experimentavam. Para ele, a vida só valia a pena se pudesse estudar o máximo possível, como todo nerd que se preza, ele achava que mulheres eram apenas uma distração.
E aqui, nesse ponto da história, é preciso explicar que as pessoas não conseguem ver nada além do seu próprio microverso, não por arrogância de achar que seu microverso é superior aos outros, as pessoas simplesmente (como se o conceito de microverso fosse simples…) não conseguem compreender as necessidades alheias que sejam diferentes das suas. Agora multiplique isso por 10 e coloque essa característica em uma pessoa que não gosta de se relacionar com outros seres humanos… DING! Seu nerd particular acaba de sair do forno.
Tentem compreender, ele não fazia por mal, mas Alexandre não conseguia notar as segundas intenções que a bibliotecária tinha com ele…

-
[Continua...]