abril 30th, 2005Esse conto não acaba?

“Viram como ele é educado?” – falou a mãe de Joana, lá da cozinha. Lucas veio caminhando até José, ele aparentava ter uns 4 anos, ainda usava fraldas, uma chupeta amarrada em um trapo amarrado no braço -que mais tarde José descobriu ser o paninho da sorte dele, e a chupeta da força- descalço, uma bermuda q terminava abaixo do joelho e uma camisa com os dizeres “Born to kill and bring caos to the world” (na verdade era uma camisa do Pokémon, mas a imaginação de José estava voando baixo). Ele se posicionou de frente para José e berrou “ZUIIIIINNN POOOOWW!! Você tá môto“, mas quem disse que José entendeu a brincadeira? Lucas já estava começando a demonstrar expressões faciais (que indicavam a ira infantil crescendo), quando Joana sussurrou para José que ele tinha que se fingir de morto. Sem pensar nem meia vez, José fechou os olhos e largou os braços, Lucas havia abatido mais um inimigo e se virou para voltar ao quarto de Joana.

José abriu apenas um olho e perguntou para Joana se ele já podia voltar ao normal, mas falou um pouco alto demais e Lucas ouviu, rapidamente se virou para José e berrou (ainda mais alto) “MÔTO!!!“, no susto José rapidamente fechou os olhos e ainda escorregou um pouco no sofá (um pouco de realismo para agradar a criança, né?). Joana, meio sem jeito disse: “Só quando ele resolver te ressuscitar“, e assim José percebeu que de namorado de Joana, passara a ser escravo de Lucas e estava sujeito a todas as ordens daquele pequeno imperador.

O pai de Joana (AHA! Acharam que ele havia sido abduzido por alienígenas, não?) assistia a tudo quieto, obviamente sofrendo por ter que conviver com aquela criatura. Ele estendeu a mão para José e disse “Pode se levantar, eu te garanto.”, prontamente José segurou na mão dele e se levantou, afinal discordar da figura patriarcal seria carimbar seu passaporte para fora daquela casa. Lucas ouviu novamente o barulho e se virou, já com os pulmões cheios de ar para berrar ainda mais forte do que a primeira vez, mas quando viu quem estava “ressuscitando” sua vítima parou e engoliu o grito, abaixou a cabeça e continuou seu caminho até o quarto de Joana.

Curiosamente, o pai de Joana era o único que ainda tinha alguma -para não dizer toda- autoridade sobre o pequeno capeta, e José sabia que este era seu único trunfo para sobreviver naquele dia.

“Venham, venham. O almoço está servido!” – disse a mãe de Joana, convocando a todos para o teste, digo, almoço. Aqui vou mudar um pouco o esquema da narrativa, enquanto eu digo como é o ritual de se almoçar pela primeira vez na casa da namorada, vocês podem imaginar as pessoas se sentando à mesa, e o almoço sendo servido, certo?

Na verdade o primeiro almoço na casa de uma namorada é um dos piores testes que pode existir, afinal você deve esquecer tudo o que você normalmente faz quando almoça na sua própria casa, e se lembrar de tudo que a sua mãe gostaria que você fizesse. Mesmo que ninguém esteja olhando para você, você sempre vai se sentir como se estivesse sendo avaliado, e o nervosismo vai aumentando cada vez mais, e a pior coisa que pode acontecer é quando os pratos são servidos e… [A mãe de Joana coloca na mesa os pratos... Brócolis à milanesa, salada de tomate, rúcula e uma receita familiar... torta de quiabo]… Você não come nada daquilo.

A primeira reação -se você estivesse em sua casa- é cara de nojo. Esta deve ser evitada AO MÁXIMO, afinal desagradar a cozinheira -especialmente se ela for a sua sogra- é garantia de piadinhas -alfinetadas- pelo resto de sua vida, do tipo: “Não, fulano não gosta das minhas comidas, não sou uma boa sogra para ele.” Se você não gosta da comida, o problema é seu! Vai ter que comer de qualquer jeito, e nada de comer bem pouco só para agradar, você tem que mostrar que gostou, tem que saborear, e se ela oferecer mais -é, assim como o universo, as sogras são cruéis a tal ponto- você tem que aceitar e falar “Só mais um pouquinho pois está muito delicioso!”, engolir o choro é uma técnica que você DEVE dominar para essas situações.

Reze pela sobremesa -pelo menos um Pai-Nosso e uma Ave-Maria, se possuir um Terço é aconselhável rezar o Credo, milagres são extremamente bem-vindos nessas horas-, afinal como dizem “Depois da tortura, vem o alívio” mas isso não é garantido, e do jeito que o universo é irônico -aqui, nessa história, ele é particularmente perverso-, sua sobremesa será alguma torta contendo uma substância a qual você é alérgico, ou que possui algum trauma de infância -Se lembra quando seus primos da fazenda te mergulharam num tonel cheio de maçãs podres?-.

O curioso disso tudo é que enquanto você sofre… algumas pessoas se saem muito bem, mas voltemos à história para que isso seja melhor entendido.

Enquanto José preparava suas papilas gustativas para ignorar o sabor daquele festival do greenpeace, ele olhou para o lado e viu Lucas sentado em sua mesinha particular, recebendo um suculento bife à parmegiana, com batatas fritas -bifes nunca pareceram ser tão deliciosos aos olhos de José como naquele instante-. OH DEUS!! POR QUE ME ABANDONASTES?! – berrava a mente de José, enquanto olhava seu prato cheio de mato, e por alguns minutos ele desejou ser um cavalo ou um boi, para poder comer aquilo sem ter que sofrer tanto. Pensou em seu amor por Joana, e decidiu que faria aquele sacrifício por ela, olhou para o prato, sorriu para a mãe dela, respirou fundo, olhou uma última vez para o prato de Lucas -e sua alma chorou, desejando ser crianças novamente para saborear aquele bife com fritas-, respirou fundo mais uma vez, enfiou o garfo no brócolis como se estivesse caçando alimento na época das cavernas e levou a comida até a boca, mastigou de olhos fechados e com a respiração presa -para ele era uma técnica para aliviar o sofrimento, mas para quem estivesse olhando parecia que ele estava saboreando a refeição-, engoliu! Pronto, menos uma garfada para o fim. Abriu os olhos e viu que o seu prato ainda estava cheio (afinal, o que é uma garfadinha, né?) e teve vontade de chorar.

“Homem não chora!” ainda mais se estiver tentando impressionar alguém. As lições de sofrimento impostas por seu pai e pelas crianças cruéis da rua, quando ele era pequeno, fizeram José ter o estômago forte o suficiente para superar aquele desafio.

O almoço acabou, José havia comido mais brócolis naquele dia do quem toda a sua vida, e ainda fora obrigado a provar uma torta de ricota -que segundo a mãe de Joana, era D-E-L-I-C-I-O-S-A-. Para sua sorte, não tinha sobremesa, a mãe de Joana se desculpou e disse que a torta surpresa -surpresa desagradável, com certeza, mas ainda assim uma surpresa- havia queimado no forno. Era chegada a hora de voltar à sala para o início do interrogatório.


- Quem são seus pais?
- Você trabalha?
- Estuda?
- Quantos anos tem?
- Onde mora?
- Já repetiu alguma vez na escola?
- Usa algum tipo de droga?
- Bebe?
- Fuma?
- Com quantos anos pretende se casar?
- Primeiro bem a ser adquirido… Casa ou carro?
- Tem irmãos?
- Algum filho?
- Para que time torce?

As perguntas sempre vêm uma atrás da outra, mal dando tempo para José respirar e pensar em alguma coisa. Ele olha para Joana, suplicando para que ela o salve, mas sua súplica não será atendida. Esse é mais um ritual do qual é impossível se fugir quando se conhece os pais de sua namorada. Pelo menos Lucas está distraído amarrando bombinhas na cauda do gato da vizinha…

O Autor confessa que não gosta de legumes, nem verduras e nem de crianças mandonas… com ele, essas três coisas se resolvem na base da violência

abril 29th, 2005Conto Continua…

ESPERE!

*Som de carro freiando e cantando pneu*

Uma história como essa não pode terminar assim, com um simples final imaginário. Essa não é uma ‘simples história‘ (sei que é pretensão demais chamar isso de história, mas…), mas o mundo cisma em tratá-la como tal. Por que digo isso? Porque essa é a sua história (não, não estou prevendo o futuro ou usando sua imagem sem lhe pagar os direitos), é uma história que acontece todos os dias, com todas as pessoas, ou pelo menos poderia ser. A única coisa que essa história não tem, é efeito especial (ficamos sem dinheiro devido a fome insaciável do nosso escritor), mas em compensação ela tem muita imaginação (isso fica por conta de vocês, leitores) e tem também dois personagens principais fenomenais! Mas para essa história não ficar meio restrita a você e seu encontro com a pessoa especial, vamos trocar os nomes… Você passa a se chamar, hummm, vejamos… João? Muito comum… Epitáfio? Com esse nome, vai ser difícil achar alguém especial… Precisamos de um nome único.

José (não aquele do poema “E agora José?” -não sei se o título é esse, mas é assim que o conheço- esse é outro José, Você é José a partir de agora) e Joana (não me pergunte por que Joana, é mais um daqueles nomes que aparecem na nossa mente e não sabemos de onde veio) serão seus nomes agora, e como todo casal, viverão situações que aparentemente são comuns para todos, mas quando vistas sob uma outra perspectiva… … Talvez continuem sendo comuns.

Começando pelo dia de ir na casa dos pais da nova namorada.

José acorda cedo no dia, pisa na cauda do gato que dormia ao lado de sua cama e cai de cara no chão, perdendo dois dentes por causa da pancada e aí… opa opa, isso aqui não é uma comédia espalhafatosa desse jeito, pode esquecer esse parágrafo.

[Rebobinando a fita]
[Silêncio no estúdio! Gravando!]

José se levanta, um pouco tarde como faz todo sábado, e até seu cérebro raciocinar que aquele não é mais um sábado qualquer, que aquele é O sábado, o dia em que ele entrará em um novo mundo, o complicado mundo da casa do sogro e da -argh- sogra, até tal fato acontecer, ele continua rolando na cama antes de se levantar, lembrando dos sonhos e tomando coragem para ir até o banheiro, pensa o porque de ainda não terem inventado uma máquina que teletransporta o excesso de impurezas líquidas e amônia (o famoso pipi) até o Sr. Privada sem que seja necessário caminhar até lá -essas preocupações que apenas os mortais têm, mas que não confessam para ninguém, pois a preguiça é um pecado mortal (ou seria capital?)-, fecha os olhos, tenta dormir mais um pouco e então se lembra do seu compromisso. São onze horas da manhã, todos sabem que quando se visita a casa de alguém, o almoço só vai ficar pronto lá por volta de uma hora da tarde, mas é sempre de bom gosto chegar antes do meio dia na casa dos anfitriões, ainda mais se você estiver tentando passar uma boa imagem (um rapaz direito, digno de honrar um casamento, jamais chega atrasado, nem se sua própria mãe falecer).

O atraso é inevitável, considerando que ele mora perto porém longe (já explico isso) da casa de Joana. Aqui gostaria de explicar mais uma ‘ironia gargalhante do universo‘ (gargalhante, pois quem criou essas situações deve se divertir muito com isso), nada na vida é perfeito, certo? Por mais que tudo pareça estar em ordem, precisa haver algum caos para tudo fazer sentido (compreendeu? Nem eu). O fato é que José mora perto, porém para chegar na casa de Joana (de carro, é óbvio, pois faz muito sol neste sábado e ele não pode chegar todo suado para conhecer seus pais) ele precisa dar uma volta imensa, devido ao esquema de trânsito da cidade -que nunca favorece os protagonistas desse tipo de história- e por isso que ele está perto porém longe, e com certeza chegará atrasado.

Dez minutos é um atraso aceitável, mas para pais exigentes, já é um ponto a menos para o namorado de sua filha -nota mental para explicar o sistema de pontuação familiar mais tarde- mas ele tenta não se importar, e entra na casa pedindo licença (como sua mãe lhe ensinou), Joana segurando sua mão, o conduz até o centro da sala onde ele vê os pais dela e repara em alguns brinquedos espalhados pelo sofá -pânico-, José começa a ficar preocupado, se os pais dela não forem pais ‘normais’ (desses que não gostam de brincar como crianças, e se comportam como adultos adultos mesmo), isso significa que há criança (ou pior… criançaS) na casa, e para o cérebro de José isso significa atenção redobrada, rapidamente analisa se os brinquedos são de meninos ou meninas… Um boneco sem cabeça, carrinhos sem roda, uma chave de fenda, um urso com a barriga estourada e com um olho faltando, uma espada de plástico… Bom, se não for um menino destruidor, é a menina mais endiabrada de todo o mundo. De ambas as formas isso é ruim, e os neurônios de José começam a relembrar informações adquiridas em programas de televisão, experiências passadas e tudo mais que houver em seu Banco de Dados sobre crianças. Crianças são sensíveis, crianças se irritam fácil, crianças quando não gostam, odeiam… E o pior… Crianças choram. Rapidamente José relembra todos os cuidados a se tomar, nunca tratar uma criança como se ela tivesse a idade que realmente tem, pois isso sempre as irritam, se fosse uma criança calma, bastava tratar como um bebê, mas vendo os brinquedos destruídos, José teve a certeza de que deveria tratar aquele infante como um Gladiador de Roma.

“Bom dia, bom dia. Desculpe o atraso.” – disse José para seus avaliadores, digo, para os pais de Joana. “Que bom que você chegou! O Lucas estava morrendo de curiosidade em saber quem era você. Ele morre de ciúmes da Joana” – retrucou a mãe de Joana, com um sorriso muito acolhedor em sua face já marcada pela idade. José logo guardou a informação de que Lucas era o nome da peste, digo, da criança que estava na casa (em algum lugar ainda não revelado), e sorriu em retorno, olhando para Joana com uma cara de indagação já que ela não havia comentado nada sobre crianças. Percebendo isso, Joana disse que Lucas era seu priminho que estava passando o final de semana com eles, enquanto os pais faziam uma viagem para fora do Brasil.

Aqui vale ressaltar um detalhe… Se os pais não levam o filho pequeno para a viagem é porque o pentelho, digo, filho édigamos assim, uma criança difícil de se lidar, e eles estão querendo se livrar da prole por algum tempo, para tentar recuperar a sanidade perdida devido aos meses de convivência com aquele pequeno ser que mais parece ser filho da Rosemary (não pela feiúra, mas pelo espírito destruidor). Coitado de quem fica responsável por domar, digo, cuidar da prole alheia. Agora voltemos à história…

José olhava de um lado para outro, procurando a criança, com medo de pisar nela por acidente, não digo esmagá-la como um elefante faz com uma formiga, mas pisar no pé, ou em algum brinquedo que por mais insignificante que fosse para a criança, bastaria alguém estragar para ser o motivo de choro por ter sido o brinquedo favorito dela -coisa que havia acontecido segundos antes do encontro brinquedo x pé-, afinal crianças adoram chorar para se tornarem o centro das atenções. José queria garantir que isso jamais acontecesse, especialmente naquele dia.

“Ele é um amorzinho de criança, tão curioso! Gosta de saber como tudo funciona.” – disse a mãe de Joana enquanto caminhava para a cozinha. Ela disse isso, mas José ouviu da seguinte forma: “Ele é uma peste, gosta de destruir tudo que vê pela frente.” Quando a informação estava sendo processada, José ouviu algum barulho vindo do corredor, e se preparou para o pior… Lucas estava vindo, era como um Tiranossauro Rex caminhando pela floresta, e quando apareceu na sala, arrastando um outro urso -que pela expressão de Joana deveria fazer parte de sua coleção de bichinhos, descoberta por Lucas-, sorriu para José e disse “Boa tádi”, com um sorriso capaz de desarmar qualquer General do Exército, mas que na verdade só significava que ele havia encontrado uma nova vítima, José.

Ainda não era tarde, mas ninguém se atreveu a corrigir o pequeno, afinal, quando uma criança diz que já é ‘di tadi’, vai ser di tadi até que ela decida que o sol ou a lua deva aparecer novamente. Ainda mais se a criança tiver armas como choro, bochechas macias e dentes afiados.

É José… seu dia vai ser longo…

O Autor diz que não gosta de novelas, mas escrever em capítulos está se tornando interessante

abril 28th, 2005Conto

Tudo sempre começa bem simples, uma simples amizade, um simples encontro, um simples sorriso. Na verdade, nada disso é ‘simples‘, nenhuma dessas situações pode ser simplificada a tal ponto, independente do resultado, tudo é sempre mágico e nunca pode ser considerado como menos que isto.

[Luz, câmera, ação!]

*Sons de pássaros cantando*

Lá está você, caminhando despreocupado por uma dessas ruas que pouco importa o nome, dessas ruas que só servem para se caminhar despreocupadamente, quando você vira em uma esquina e se depara com… … (curioso para saber o que aconteceu?) Nada! Afinal, o que você esperava? Encontrar o amor de sua vida numa ruazinha sem importância?

Você passa em frente ao prédio em que ela mora todos os dias, mas nunca a viu. Já entrou na mesma loja que ela no shopping, mas não percebeu que ela estava no provador de roupas. Já pegaram o mesmo elevador, mas ela havia descido um andar antes de você entrar, à noite procuravam afeto em salas de bate-papo, mas sempre que você entrava, ela tinha acabado de sair. Você decidia ir à boate e ela escolhia ler um livro, só para na noite seguinte ir à mesma boate que você, só porque você decidiu ler um livro nesse dia (que por sinal é o livro favorito dela).

Mas um dia alguém decidiu acabar com essa ‘piada cósmica‘ (você há de convir que é engraçado ver essa série de desencontros, mais engraçado ainda se você é quem decide o destino dos mortais), e ao passar pela mesma rua que só serve para se andar sem preocupações, você vira naquela mesma esquina sem importância e… … (hehehe gostei disso) Nada acontece de novo. Óbvio, porque eu já disse que nessa rua não acontece nada, nunca aconteceu e nem vai acontecer. Mas nessa esquina você vê um cartaz afixado na parede do botequim, falando sobre um show de uma banda que você nunca ouviu falar (e depois desse show, ninguém nunca mais vai ouvir falar também), e resolve ir já que não tem mais nada para fazer em uma sexta-feira à noite.

[Pausa no filme, mas a trilha sonora continua rolando.]

Que tipo de pessoa não tem o que fazer numa sexta-feira à noite? Essa é a pergunta que vocês estão fazendo? Pois eu respondo, você é esse tipo de pessoa, todos nós somos, nunca há nada para se fazer em uma sexta-feira, as pessoas apenas inventam coisas para se fazer, para não ficar com aquela sensação de vazio do tipo “Pô, todo mundo saiu e eu fiquei em casa vendo Globo Repórter”. Pergunta respondida, pode continuar o filme…

[As pessoas começam a se mexer novamente]

Ela recebeu por e-mail o aviso do show da banda, e achou que era melhor sair sozinha para pensar e curtir um show qualquer do que sair com as amigas, como sempre fazia. Sobre essa banda misteriosa, é apenas uma dessas bandas que surgem do nada apenas para proporcionar encontros de protagonistas de uma história, mas logo depois do show caem no esquecimento (até mesmo durante o show já estão esquecidas, já que ninguém presta atenção nelas).

E o show começou e acabou, os dois saíram de lá com uma estranha sensação de não ter ouvido música nenhuma (eles até ouviram, mas como a banda não tem importância para a história, então as músicas tocadas também pouco importam). Meio atordoados, se esbarraram quando estavam saindo do local, e se olharam rapidamente, pedindo desculpas, riram quando perceberam que falaram ao mesmo tempo, e em um súbito ato de coragem, você a convidou para passear por aí, conversando por ruas sem importância, em uma cidade que começava a perder toda a forma e conteúdo, pois tudo que você via em sua frente era ela.

E as ruas pareciam sem fim, pois a conversa se desenrolava sem obstáculos, e os dois distraídos caminham pelas ruas sem saber pra onde estão indo, e quando percebem… estão perdidos (nessa hora eu poderia colocar uma nave alienígena vindo raptá-la e ele tendo que ir resgatá-la, ou então uma gangue de arruaceiros tentando assaltá-los e ela revelando que na verdade é uma agente do FBI, mas isso só acontece em outras histórias, nessa aqui fica desse jeito…), mas não perdidos no sentido de não saber a localização (tudo bem que isso também, mas não vem ao caso), estavam perdidos de amor. Mas em algumas horas de conversa? Sim, em algumas horas de conversa, e uma vida inteira de espera por aquela pessoa.

E a partir daí, aquela simples rua, o simples show, uma simples caminhada e uma simples conversa, se tornam as coisas mais mágicas de todo o mundo, pois serviram ao propósito maior, que era te guiar para aquela pessoa.

O Autor vê filmes em sua mente, que nunca foram filmados, mas jura que não dá ouvidos às pessoas que só ele vê

abril 26th, 2005Se dando bem (bem mal)

“E mesmo sozinho, jamais desistirei de batalha alguma
Pois meus ideais valem mais que qualquer exército”

Todos sempre querem ‘se dar bem’, todos sem exceção. Quero deixar bem explícito que não estou dizendo que isso é algo ruim, longe disso, afinal ter sucesso na vida é um objetivo compartilhado (mesmo que individual) por todos, porém, até onde vale a pena ir para conquistar tal objetivo?

Notem bem, deve haver um limite em tudo na vida (ou quase tudo), e quem estipula esse limite é você, isso se chama ética pessoal -ou qualquer outro nome que vocês queiram dar-, o fato é que, passado esse limite, a consciência pesa, e a pessoa começa a reagir estranho (agressiva ou passivamente), começa a achar que tem alguém desonfiando dela.

E qual o motivo de tudo na maioria das vezes? Aquelas cédulas de papel com desenhos e números impressos… Não posso ser hipócrita ao ponto de negar que gosto desses mágicos papéis, mas existe um limite entre gostar e não viver sem (óbvio que hoje em dia, não se vive sem dinheiro, mas vocês entenderam o que eu quis dizer).

Ambição de subir na vida é uma coisa, ganância desenfreada é outra completamente diferente. Passar por cima dos outros, enganar, roubar… só para ter dinheiro, sinceramente não vale a pena para mim. Como eu já disse em outros rabiscos… os ideais dessa sociedade estão ficando cada vez mais banalizados, ou talvez eu seja um purista perdido no tempo. Subir a qualquer custo vai acabar custando mais caro do que subir mais devagar, mas sem acumular tantas trapaças.

As pessoas pensam que conseguindo, sei lá, R$5.000,00 estarão livres de todos os problemas… mas esse dinheiro acaba algum dia, e aí? O que se faz? Se for pra correr o risco de ser pego, ou preso, que seja pelo menos por uma quantia considerável que te deixe bem de vida pelo resto da vida, não? Afinal, a consciência já vai estar pesada por estar prejudicando os outros mesmo, então que pelo menos te deixe ser triste no Hawaii, ou na Suíça(típica piadinha sem graça).

Muitos pensam que têm os mesmos direitos que os outros, mesmo sem ter trabalhado para tal, e então resolvem tomar à força, pelo simples fato de achar que tudo deve ser compartilhado. Mas ninguém se coloca no lugar da pessoa que lutou para conseguir o que queria, e está sendo ‘roubada’ (ou prejudicada de alguma forma). Não importa se é rico ou pobre, se ele conquistou alguma coisa, aquilo pertence a ele, e ninguém tem o direito de tirar essa conquista das mãos daquela pessoa.

Na hora de trapaçear, ninguém pensa naquele ditado que diz “Quem muito quer, nada tem“.

O Autor jura que nunca mais fez falcatruas, mas confessa ter um plano infalível (mil vezes melhor que o do Cebolinha) para ficar rico, e já tem até advogados para protegê-lo caso algo dê errado.

abril 25th, 2005Punk

Punk Rock

Estava rabiscando no papel, e saiu isso…

O Autor garante que não tem nada contra Punks, e algumas vezes se pega cantarolando “I wanna be sedated” durante as aulas de Cálculo


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