WTF?
ESPERE!
*Som de carro freiando e cantando pneu*
Uma história como essa não pode terminar assim, com um simples final imaginário. Essa não é uma ‘simples história‘ (sei que é pretensão demais chamar isso de história, mas…), mas o mundo cisma em tratá-la como tal. Por que digo isso? Porque essa é a sua história (não, não estou prevendo o futuro ou usando sua imagem sem lhe pagar os direitos), é uma história que acontece todos os dias, com todas as pessoas, ou pelo menos poderia ser. A única coisa que essa história não tem, é efeito especial (ficamos sem dinheiro devido a fome insaciável do nosso escritor), mas em compensação ela tem muita imaginação (isso fica por conta de vocês, leitores) e tem também dois personagens principais fenomenais! Mas para essa história não ficar meio restrita a você e seu encontro com a pessoa especial, vamos trocar os nomes… Você passa a se chamar, hummm, vejamos… João? Muito comum… Epitáfio? Com esse nome, vai ser difícil achar alguém especial… Precisamos de um nome único.
José (não aquele do poema “E agora José?” -não sei se o título é esse, mas é assim que o conheço- esse é outro José, Você é José a partir de agora) e Joana (não me pergunte por que Joana, é mais um daqueles nomes que aparecem na nossa mente e não sabemos de onde veio) serão seus nomes agora, e como todo casal, viverão situações que aparentemente são comuns para todos, mas quando vistas sob uma outra perspectiva… … Talvez continuem sendo comuns.
Começando pelo dia de ir na casa dos pais da nova namorada.
José acorda cedo no dia, pisa na cauda do gato que dormia ao lado de sua cama e cai de cara no chão, perdendo dois dentes por causa da pancada e aí… opa opa, isso aqui não é uma comédia espalhafatosa desse jeito, pode esquecer esse parágrafo.
[Rebobinando a fita]
[Silêncio no estúdio! Gravando!]
José se levanta, um pouco tarde como faz todo sábado, e até seu cérebro raciocinar que aquele não é mais um sábado qualquer, que aquele é O sábado, o dia em que ele entrará em um novo mundo, o complicado mundo da casa do sogro e da -argh- sogra, até tal fato acontecer, ele continua rolando na cama antes de se levantar, lembrando dos sonhos e tomando coragem para ir até o banheiro, pensa o porque de ainda não terem inventado uma máquina que teletransporta o excesso de impurezas líquidas e amônia (o famoso pipi) até o Sr. Privada sem que seja necessário caminhar até lá -essas preocupações que apenas os mortais têm, mas que não confessam para ninguém, pois a preguiça é um pecado mortal (ou seria capital?)-, fecha os olhos, tenta dormir mais um pouco e então se lembra do seu compromisso. São onze horas da manhã, todos sabem que quando se visita a casa de alguém, o almoço só vai ficar pronto lá por volta de uma hora da tarde, mas é sempre de bom gosto chegar antes do meio dia na casa dos anfitriões, ainda mais se você estiver tentando passar uma boa imagem (um rapaz direito, digno de honrar um casamento, jamais chega atrasado, nem se sua própria mãe falecer).
O atraso é inevitável, considerando que ele mora perto porém longe (já explico isso) da casa de Joana. Aqui gostaria de explicar mais uma ‘ironia gargalhante do universo‘ (gargalhante, pois quem criou essas situações deve se divertir muito com isso), nada na vida é perfeito, certo? Por mais que tudo pareça estar em ordem, precisa haver algum caos para tudo fazer sentido (compreendeu? Nem eu). O fato é que José mora perto, porém para chegar na casa de Joana (de carro, é óbvio, pois faz muito sol neste sábado e ele não pode chegar todo suado para conhecer seus pais) ele precisa dar uma volta imensa, devido ao esquema de trânsito da cidade -que nunca favorece os protagonistas desse tipo de história- e por isso que ele está perto porém longe, e com certeza chegará atrasado.
Dez minutos é um atraso aceitável, mas para pais exigentes, já é um ponto a menos para o namorado de sua filha -nota mental para explicar o sistema de pontuação familiar mais tarde- mas ele tenta não se importar, e entra na casa pedindo licença (como sua mãe lhe ensinou), Joana segurando sua mão, o conduz até o centro da sala onde ele vê os pais dela e repara em alguns brinquedos espalhados pelo sofá -pânico-, José começa a ficar preocupado, se os pais dela não forem pais ‘normais’ (desses que não gostam de brincar como crianças, e se comportam como adultos adultos mesmo), isso significa que há criança (ou pior… criançaS) na casa, e para o cérebro de José isso significa atenção redobrada, rapidamente analisa se os brinquedos são de meninos ou meninas… Um boneco sem cabeça, carrinhos sem roda, uma chave de fenda, um urso com a barriga estourada e com um olho faltando, uma espada de plástico… Bom, se não for um menino destruidor, é a menina mais endiabrada de todo o mundo. De ambas as formas isso é ruim, e os neurônios de José começam a relembrar informações adquiridas em programas de televisão, experiências passadas e tudo mais que houver em seu Banco de Dados sobre crianças. Crianças são sensíveis, crianças se irritam fácil, crianças quando não gostam, odeiam… E o pior… Crianças choram. Rapidamente José relembra todos os cuidados a se tomar, nunca tratar uma criança como se ela tivesse a idade que realmente tem, pois isso sempre as irritam, se fosse uma criança calma, bastava tratar como um bebê, mas vendo os brinquedos destruídos, José teve a certeza de que deveria tratar aquele infante como um Gladiador de Roma.
“Bom dia, bom dia. Desculpe o atraso.” – disse José para seus avaliadores, digo, para os pais de Joana. “Que bom que você chegou! O Lucas estava morrendo de curiosidade em saber quem era você. Ele morre de ciúmes da Joana” – retrucou a mãe de Joana, com um sorriso muito acolhedor em sua face já marcada pela idade. José logo guardou a informação de que Lucas era o nome da peste, digo, da criança que estava na casa (em algum lugar ainda não revelado), e sorriu em retorno, olhando para Joana com uma cara de indagação já que ela não havia comentado nada sobre crianças. Percebendo isso, Joana disse que Lucas era seu priminho que estava passando o final de semana com eles, enquanto os pais faziam uma viagem para fora do Brasil.
Aqui vale ressaltar um detalhe… Se os pais não levam o filho pequeno para a viagem é porque o pentelho, digo, filho édigamos assim, uma criança difícil de se lidar, e eles estão querendo se livrar da prole por algum tempo, para tentar recuperar a sanidade perdida devido aos meses de convivência com aquele pequeno ser que mais parece ser filho da Rosemary (não pela feiúra, mas pelo espírito destruidor). Coitado de quem fica responsável por domar, digo, cuidar da prole alheia. Agora voltemos à história…
José olhava de um lado para outro, procurando a criança, com medo de pisar nela por acidente, não digo esmagá-la como um elefante faz com uma formiga, mas pisar no pé, ou em algum brinquedo que por mais insignificante que fosse para a criança, bastaria alguém estragar para ser o motivo de choro por ter sido o brinquedo favorito dela -coisa que havia acontecido segundos antes do encontro brinquedo x pé-, afinal crianças adoram chorar para se tornarem o centro das atenções. José queria garantir que isso jamais acontecesse, especialmente naquele dia.
“Ele é um amorzinho de criança, tão curioso! Gosta de saber como tudo funciona.” – disse a mãe de Joana enquanto caminhava para a cozinha. Ela disse isso, mas José ouviu da seguinte forma: “Ele é uma peste, gosta de destruir tudo que vê pela frente.” Quando a informação estava sendo processada, José ouviu algum barulho vindo do corredor, e se preparou para o pior… Lucas estava vindo, era como um Tiranossauro Rex caminhando pela floresta, e quando apareceu na sala, arrastando um outro urso -que pela expressão de Joana deveria fazer parte de sua coleção de bichinhos, descoberta por Lucas-, sorriu para José e disse “Boa tádi”, com um sorriso capaz de desarmar qualquer General do Exército, mas que na verdade só significava que ele havia encontrado uma nova vítima, José.
Ainda não era tarde, mas ninguém se atreveu a corrigir o pequeno, afinal, quando uma criança diz que já é ‘di tadi’, vai ser di tadi até que ela decida que o sol ou a lua deva aparecer novamente. Ainda mais se a criança tiver armas como choro, bochechas macias e dentes afiados.
É José… seu dia vai ser longo…
O Autor diz que não gosta de novelas, mas escrever em capítulos está se tornando interessante
Complicado definir o tema de algo. Os pseudo-intelectuais dizem que "Definir é limitar", mas talvez definir seja se encontrar, ou algum outro sentido que vocês queiram. Nunca consegui definir exatamente o que falo aqui, mas na maioria das vezes faço isso com humor. Às vezes falo sério demais, e às vezes nem falo, enfim, tudo que eu achar interessante, coloco aqui. Tem gente que gosta, tem gente que nem sabe que escrevo aqui. Agora, pare de ler isso aqui e presta atenção nos posts no lado esquerdo do site!
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