Antes de qualquer coisa, permita-me me apresentar. Me chamo Brasil para a maioria do mundo e já tive outros nomes mas eles pouco importam comparados à minha real função. Chamo-me Pátria para alguns poucos felizardos, me chamo terra, mãe, casa, lar, ou qualquer outro nome que queiram, o fato é que eu sou responsável por abrigar uma grande mistura de povos, crenças, raças e acabo me tornando um verdadeiro pai para todos, um pai que às vezes pune, mas que também sabe reconhecer quando um filho vence algum obstáculo. Confesso que nem sempre sou justo, mas a culpa não é minha - ou talvez seja -, mas pouco posso fazer para controlar os meus habitantes, e mesmo se pudesse, não poderia tirar-lhes o livre arbítrio. Eu não sou como o meu primo Africano, que às vezes de tanta raiva solta fogo pelas ventas e estoura um vulcão, estou em desvantagem nesse ponto, pois fui criado sem vulcões, sem terremotos, sem furacões. Tudo que tenho é um grande coração, e foi assim que tudo começou.

Havia um povo que morava por aqui, e era um povo tranqüilo, cuidavam bem de mim só que um belo dia, chegaram aqui uns barquinhos, vinham de longe, filhos da minha tia Europa, viajaram muitos meses por águas revoltas só para chegar até aqui, a princípio falaram que vinham visitar, mas como toda visita familiar acabaram ficando mais um tempinho, e mais um tempinho - sabe aquela tia que sempre toma mais um cafézinho antes de ir embora? -, o fato é que eles fizeram uma pequena bagunça por aqui, e outros primos - que também adoram uma farra - resolveram vir também, logo percebi que minha casa nunca mais seria a mesma. Aquele povo que vivia inicialmente comigo, começou a se misturar com esses primos do além-mar, e quando todos perceberam que aqui era como coração de mãe, mais parentes vieram.

Os filhos da Europa fizeram uma escala na África e trouxeram mais gente… E mais europeus vieram depois, não sei muito bem o que estavam fazendo por aqui, sei que de uma hora para outra, eu praticamente virei um Albergue. Gente de todos os cantos do mundo vinham a mim, para morar ou estavam interessados em coisas que eram feitas aqui, foi um entra e sai danado, que eu me perdi. Sim, me perdi e não sabia mais quem morava aqui, quem era visita, e eu resolvi relaxar um pouco, apreciar minhas belas praias, o meu verde que tanto atraía as pessoas, e deixar quem quisesse morar aqui, vir e se instalar.

Muitos mais vieram, amarelos, negros, albinos, eu não me importava, mas todos que para cá vinham, quando voltavam, já eram pessoas diferentes, haviam se tornado Brasileiros, de coração, corpo e alma. Perdi a conta de quantos morreram lutando por mim, mesmo sem terem nascido em minhas terras, mesmo sem serem parte daquele primeiro povo que habitava minhas matas. Hoje, mesmo tendo mudado bastante, continuo abrigando cada vez mais povos, transformando qualquer um que aqui passe ao menos 1 semana, em Brasileiros, que se apaixonam por mim e se não podem morar aqui, voltam sempre para visitar. Essa mistura, fez de mim o que eu sou hoje, um lugar onde o radical e o moderado, o ying e o yang convivem lado a lado na mais perfeita - tá bom, nem sempre, mas… - harmonia.

Lembra quando você ia visitar a casa da sua vó e não queria mais sair de lá, pois lá você recebia carinhos, atenção e tudo mais que desejava? Pois é, prazer. Eu sou Brasil, a ‘casa da avó‘ mundial.

O Autor concorda que o melhor do Brasil, é o Brasileiro (com B maiúsculo mesmo)