E o jogo prosseguiu, o primeiro tempo foi um massacre total, o time do Flamengo dava dribles, firulas … Era um verdadeiro espetáculo, só que para José era um espetáculo de horror, é bom explicar que se fosse em qualquer outra situação ele estaria dando pulos e mais pulos de alegria, mas por Joana, ele é capaz de sacrificar até mesmo sua paixão pelo Flamengo -e trocar futebol por mulher é algo inadmissível para a maioria esmagadora dos homens, ainda mais sendo Flamenguista-.

Tudo bem que o Universo gostava de vê-lo sofrer, mas aquilo já era demais. Creio que todos vocês querem que José seja aceito pela família e que o humor de Seu Jonas melhore, certo? Então eu vou interceder em favor de José e tirar um pouco do humor sádico deste Universo sarcástico. E começa o segundo tempo, José já havia perdido suas esperanças, o comentarista fazia questão de deixar bem claro que era impossível o Vasco se reerguer, afinal eram 7 gols de diferença. Mas como em qualquer história, quando o herói está encurralado, tudo começa a dar certo -se fosse um filme de kung-fu, esta seria a hora em que ele derrotaria todos seus inimigos com apenas um chute e resgataria a assustada e indefesa filha de seu Mestre- e o Vasco começou a marcar um gol atrás do outro, parecia que alguma força estava segurando os jogadores do Flamengo, que tropeçavam sozinhos, não conseguiam correr direito, perdiam as chuteiras… José foi ficando mais aliviado, a cada berro de GOL que Seu Jonas dava e começou a agradecer por suas preces terem sido atendidas.

QUEM É VICE AGORA, HEIN?! ME DIZ!! ME DIZ!” berrava Seu Jonas olhando para a TV, observando os jogadores do Vasco dando a volta olímpica segurando o troféu, a felicidade era tanta que ele até esqueceu de Lucas -que havia conseguido destrancar a porta e fugido para o quintal em busca do gatinho, afinal ele tinha que terminar o serviço-, e quando Joana aproveitou a oportunidade para dizer que iria dar um passeio com José, Seu Jonas disse “Claro filhinha, e se for dormir fora de casa avise.” assustando a todos, principalmente Joana, que resolveu nem questionar já que não queria estragar aquele momento de felicidade do pai.

Assim como José e Joana, centenas de outros casais também decidem ir passear em algum Shopping Center, afinal nos dias de hoje é a diversão menos perigosa nos centros urbanos e assim como os casais, os pais levam seus filhos -muitos destes poderiam se unir a Lucas e formar um novo exército do mal-, ou seja, não é um lugar tão tranqüilo assim. Uma sessão de cinema, pipoca, chocolate, tudo financiado por José como manda a tradição -e nessas horas, poucas são as mulheres que lutam por direitos iguais-.

Se Joana fosse uma mulher qualquer, seria um roteiro simples: cinema -> jantar -> motel. Mas mulheres quaisquer servem somente para qualquer homem que não seja um José, e como José é o mais José dos Josés, Joana também não é aquela da casa da mãe com o mesmo nome. Mulheres de verdade, como Joana, gostam de receber carícias durante o filme, eventualmente um beijo, mas acima de tudo gostam de ser respeitadas, ainda mais nesta história onde José vai aprender que as mulheres são Deusas e devem ser tratadas como tal.

Para agir, tomar qualquer atitude, é essencial prestar atenção nos sinais e interpretá-los corretamente, qualquer deslize pode significar o fim do relacionamento, e é com esse medo constante que homens como José convivem. Truques como se espreguiçar para abraçá-la são completamente dispensáveis. Antes de tudo é preciso escolher um bom filme -isso varia de acordo com o gosto DELA-, se quiser ver um filme idiota que só você goste, espere ele sair nas locadoras e veja sozinho em casa -somente assim você vai poder rir de piadas idiotas sem ser considerado um-, não tente acariciá-la sem que ela tenha lhe dado permissão, ainda mais em locais como as pernas. Jamais fale mal do mocinho da história, ou conte o final do filme. Guerras de pipoca eram engraçadas na 5ª série, agora não são mais. Preste atenção no filme o suficiente para saber a história, mas preste muito mais atenção nela, afinal ela é muito mais interessante do que o filme.

José sabia todas essas regras, havia se preparado bem para esta situação e acreditava estar pronto para qualquer imprevisto, mas infelizmente ele não contava com um engarrafamento de trinta minutos, o que fez com que os ingressos estivessem quase esgotados quando ele chegou para comprá-los. A fila já era grande, e quando conseguiram entrar no cinema… … -tchan tchan tchan tchan- … … Não havia nenhum lugar onde os dois pudessem sentar juntos. A expressão de decepção no rosto de ambos era nítida, mas ninguém se comoveu e cedeu lugar para que eles pudessem sentar juntos, afinal ninguém poderia imaginar como aquele momento era importante para José.

2 horas e meia afastado de seu amor… Fora obrigado a sentar trás fileiras atrás dela, porém nada mais importava. José não queria saber do filme, chocolate ou pipoca, não conseguia entender que destino cruel era aquele, de não poder fazer carinhos em sua amada, e nem protegê-la caso ficasse com medo em alguma parte do filme -era mais fácil José ficar com medo, mas isso não vem ao caso-, precisava achar alguma maneira de contornar aquela situação, mas como?

O Autor só gosta de ir ao cinema acompanhado, e assim que isso for possível, garante que o filme vai se tornar apenas um coadjuvante