WTF?
Uma noite tranqüila de sono, mas não muito longa, afinal é um fato incontestável… Sempre depois de um dia com sua namorada, ou seu namorado, as pessoas ficam pensando em muitas coisas antes de dormir, não necessariamente sobre a outra pessoa, mas as mentes viajam -pelo menos as que têm passaporte-, matutando sobre os mais diversos assuntos -desde de avaliar o que aconteceu no dia, até a criação de um novo nano-dispositivo que pode significar a cura para todos os tipos de câncer-. Uma “mente apaixonada” funciona muito bem para todas as outras áreas que não tenham ligação direta com o amor, digo isso porque quando se ama, acaba se fazendo cada burrada… A sorte é que se a outra pessoa também estiver amando, nem vai perceber aquilo como uma burrada.
José precisava descansar pois já era tarde, e amanhã seria Segunda-Feira, dia de trabalhar -dia de encarar seu cubículo e não reclamar da vida-, dia de trabalhar até a exaustão em uma empresa que mais parecia pertencer ao Conde Drácula, pois só sugava o sangue de seus funcionários. Na verdade, se tratava de uma empresa como outra qualquer, onde todos sempre estavam cansados, mas mesmo assim conseguiam se divertir de alguma forma dentro daquele mini-mundo. Piadas internas -como contadores fazendo piadas com números, piadas que só eles entendem e todas as outras pessoas pensam que eles devem ser pessoas muito solitárias-, judiação dos escraviá… Digo, estagiários, almoços demorados, enfim, um dia normal como em qualquer outra corporação. Isto é, se não fosse por um detalhe. José estava distraído, passara o dia mexendo em elásticos e clips, rabiscando papéis… Completamente alheio ao mundo que lhe cercava.
Teve sorte. Ninguém percebeu que ele nada fez durante o dia, já que aquela empresa era um emaranhado de cubículos. E José também não era um exemplo de popularidade, apenas fazia o que tinha que ser feito, sem muitas palavras. Quando começou a trabalhar lá, sentia falta dos tempos de faculdade, onde a vida era uma eterna diversão com algumas provas -e colas- ocasionais, não imaginava que a vida poderia ser tão chata ao se “trabalhar de verdade“. Mas agora ele tinha outras coisas em mente, seu emprego passara a ser apenas o local onde se passa o tempo em que ele não pode falar com Joana. Nunca rezara tanto para o tempo passar rápido, e só para implicar -é claro, lembrem-se que o Universo gosta de perturbar José-, o tempo nunca demorou tanto para passar, o tempo insistia em se arrastar, como uma tartaruga preguiçosa que queria perder uma corrida para uma lesma.
Devido ao trabalho de José, e o de Joana, ficava meio complicado o encontro dos dois durante a semana, e cada dia era uma tortura. José percebeu que sua ânsia para que o dia terminasse logo, só contribuía para que os segundos demorassem 2 horas para passar -cada um-, então resolveu trabalhar. Enquanto isso, Joana aturava, digo, atendia madames exigentes em uma loja de roupas, cada nova cliente era um novo sacrifício. Menina, eu quero uma blusa. Pega a roupa no estoque. Não era essa cor que eu queria. Pega outra. Ahhh, mas não gostei do modelo. Troca o modelo… Mas essa ficou pequena. Pega um número maior. Não tem outra cor? Procura outra cor. Mas eu queria algo mais casual… Pega outra roupa. Ó, já que só tem essa, vou levar assim mesmo, onde estão os sapatos? Novo ciclo de tortura, pois a Madame sempre pede um número menor do que ela realmente calça, quer outra cor, diz que não é macio, mas acaba pedindo para separar assim mesmo. O mesmo ritual se repete para bolsas, saias, calças, acessórios… Não importa se o manequim dela é 50, as roupas TÊM que ser manequim 44 -não adianta tentar questionar, é como tentar convencer a Gravidade de que os objetos têm que subir, ao invés de cair, ou um poodle a ficar quieto-, não importa se ela calça 40, os sapatos TÊM que ser 36 -e coitada da atendente que não conseguir fazer o pé da Madame entrar no sapato 36. Nessas horas é muito importante saber quebrar os limites da Física-, pouco importa se a atendente está se arrastando, demonstrando esgotamento físico, Madames são alguns dos seres mais cruéis -e temidos- de todo o Universo -logo acima, na lista de crueldade, estão os caixas bancários, que se deliciam com uma fila cheia de aposentados, mas isso é outro assunto-, e o pior… Elas sempre têm razão.
Para Joana, os segundos não demoravam apenas duras horas para passar -cada um-, os segundos simplesmente NÃO passavam, era como se o tempo tivesse desistido de passar por ali -o que pode ser verdade, já que até mesmo o Tempo tem medo das Madames, e isso se deve ao fato delas tentarem de toda forma derrotá-lo, seja usando cremes, cirurgias e tudo mais-, abandonando Joana e todas as outras atendentes. Permitindo que todas elas sofressem mais e mais nas mãos daquela horda do mal -tá bom, eram apenas três Madames na loja, mas isso é suficiente para destruir um país do tamanho do Japão, por exemplo. A sorte do Japão é que elas preferem Paris-. Imagine um calabouço bem escuro, com escravos acorrentados, sendo obrigados a carregar pedras de um lado para outro, recebendo chicotadas de um carrasco que cisma em rir e berrar enquanto os prisioneiros vão morrendo a cada respiração -na verdade, todos morremos a cada respiração, mas considere que eles morrem mais-, tudo bem que a loja era bem iluminada, e não existiam correntes, mas o sofrimento era semelhante, e Joana implorava que o Universo voltasse a ser cruel só com José, mas era em vão… -óbvio que ela não implorava por isso, mesmo porque ela nem tinha essa concepção da implicância do Universo com José- Na verdade ela pedia clemência, para que seu sofrimento acabasse, e indiretamente estava redirecionando esse castigo do Universo para José, simplesmente porque o Universo não tinha mais o que fazer, e para ocupar seu tempo, implicava com alguém. Agora seria a vez de José, novamente…
E de repente, José recebe um e-mail com um arquivo desconhecido anexado… Apesar das palestras sobre segurança, José resolveu abrir o arquivo -na verdade, o Universo gerou um evento aleatório que fez com que o dedo de José ficasse mais pesado quando o mouse passava por cima do arquivo, abrindo-o, é, eu sei, o Universo é bem sacana-, em menos de cinco minutos, toda a rede da empresa havia sido infectada, e no final do corredor se ouviu uma voz “QUEM FOI O #@$%*! ??!“.
Corra José… Corra o mais rápido que você puder!
O Autor nunca foi vítima de Madame nenhuma, e sabe muito bem que não se deve aceitar arquivos de estranhos (quando éramos crianças, a gente não aceitava doces, né? Os tempos mudam…)
Complicado definir o tema de algo. Os pseudo-intelectuais dizem que "Definir é limitar", mas talvez definir seja se encontrar, ou algum outro sentido que vocês queiram. Nunca consegui definir exatamente o que falo aqui, mas na maioria das vezes faço isso com humor. Às vezes falo sério demais, e às vezes nem falo, enfim, tudo que eu achar interessante, coloco aqui. Tem gente que gosta, tem gente que nem sabe que escrevo aqui. Agora, pare de ler isso aqui e presta atenção nos posts no lado esquerdo do site!
Mannyboy
junho 4th, 2005 às 6:07
Grande Vin?cius h? madames que s?o carinhosas e dadas.
Ver?s!
Mannybeijos e parab?ns:?)***
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