Enquanto caminhava pelo centro da cidade, sentia o vento frio cortar sua pele. As gotas da chuva eram como lascas de gelo, e ele se arrependia cada vez mais de ter sa?do de casa naquele dia. Mas seu tormento era necess?rio, precisava resolver aquele assunto de uma vez por todas, n?o adiantava mais adiar porque o problema n?o iria sumir, e durante o caminho ele s? pensava: “Custava ter trazido um guarda-chuva? Um casaco? N?????ooo, voc? tinha que ser mach?o, tinha que esbravejar e provar pra todo mundo que essa era uma chuvinha de nada, que nem frio estava fazendo. Anta! Voc? deveria escorregar e morrer afogado em algum bueiro sujo, s? pra aprender!”
Caminhava pelas ruas desertas e molhadas, tentando encontrar o caminho certo, mas se j? era complicado andar no centro da cidade em dias normais, com aquela chuva era praticamente imposs?vel.
Escorregou em um paralelep?pedo e bateu com a cabe?a, enquanto sangrava at? a morte lembrou-se de toda sua vida e se arrependeu por n?o ter colocado seus t?nis anti-derrapantes, especiais para dias chuvosos. Um erro que ele jamais viria a cometer novamente.
Ao contr?rio do que se pensa, A Morte (ou O Morte, tanto faz) n?o veio busc?-lo, ele apenas ficou l?, at? que sua ?ltima gota de sangue escorresse pela cal?ada, ent?o se levantou, olhou para o seu corpo f?sico, largado naquela rua como se fosse um indigente, respirou fundo (ou pelo menos tentou, j? que ele n?o tinha mais pulm?es) e seguiu andando, s? que dessa vez sem rumo, n?o fazia mais sentido resolver aquele problema que o tirou de casa.
Enquanto isso, A Morte tinha a sensa??o de que estava esquecendo alguma coisa, mas achou melhor deixar pra l?, continuar bebendo sua tequila e aproveitando suas f?rias no Caribe.