Sobrevivi à gripe do frango. Mesmo contra a vontade da maldita nutricionista que cismava em tentar me contaminar. Sou um sobrevivente.
Mas deixa eu contar como começou essa história: Tive que sofrer uma cirurgia de rotina e ficar um tempo internado (aproximadamente uma semana), até aí nada de novo, mas a vida, esta sim é uma caixinha de surpresas, e numa manhã de sol, enquanto era mimado por enfermeiras que pareciam atrizes de filmes da Cicciolina, a nutricionista adentrou o quarto. Naquele exato momento raios começaram a cair lá fora, o tempo todo se fechou e uma terrível tempestade começou a cair, todos ficaram assustados e até mesmo as crianças libanesas começaram a chorar, mesmo estando tão distante daquele quarto.
“Boa tarde, Sr. Vinicius“, disse a Nutricionista com uma voz mais tenebrosa do que fotos da Dercy Gonçalves nua, “O médico disse que sua dieta é livre, então gostaria de saber se o senhor tem alguma preferência…“.
“Olha, eu como quase tudo, menos legumes e verduras. Também não gosto muito de frango, mas o resto é tranqüilo…“, expliquei para ela, para que não houvesse dúvidas.
“Tudo bem então. Qualquer coisa e só me chamar.“, disse e saiu do quarto, que imediatamente voltou a ser um quarto normal, sem sombras espreitando pelos cantos, e até mesmo a tempestade havia terminado. As crianças libanesas ainda choravam, sabe-se lá porque…
Algum tempo depois, uma funcionária do hospital entra com o almoço. Ótimo! Estava faminto devido ao jejum feito para a cirurgia. Pedi então ajuda a uma das ninfe… Digo, enfermeiras, para poder me alimentar. Quando a tampa é levantada, a minha surpresa se torna notável: Frango com cenoura e purê de batatas!
Ora, por Deus! Eu não havia deixado claro que não comia legumes nem verduras? E que também não gostava de frango? A cena da Nutricionista me perguntando sobre minhas preferências alimentícias ficava se repetindo em minha mente, na tentativa de descobrir onde eu não havia deixado claro aquela informação.
Devido ao meu treinamento com monges budistas do sul do Afeganistão (sim, uma seita secreta da qual vocês jamais ouvirão falar), consegui manter a calma, claro que as massagens das enfermeiras também ajudaram, mas isso não vem ao caso.
Apesar de não gostar tanto de frango, fui obrigado a comer… O que eu não faço para agradar as bondosas enfermeiras que dedicavam todo o seu tempo para auxiliar na minha recuperação. Afinal, apenas um dia não me faria mal.
Mas a vida… Essa sim é uma caixinha de surpresas. No dia seguinte, frango com brócolis! Na janta, frango com batatas, no almoço do 3º dia, frango com frango, na janta canja de galinha. E assim os dias foram passando, até completar uma semana, a impressão que eu tinha era de que todo o carregamento da Ásia, que havia sido rejeitado pelo mundo, fora parar na dispensa daquele maldito hospital.
Já não conseguia nem dormir, sonhava com frangos me atacando, ovos voando por todos os lados, nem mesmo as massagens tailandesas das enfermeiras conseguiam aliviar minha mente.
Finalmente consegui sair do hospital, sem nenhuma gripe aviária (mesmo contra todas as expectativas da nutricionista), e ao chegar em casa vejo que meus pais haviam alugado um filme para que eu pudesse relaxar. O Galinho Chicken Little. Tortura? Karma? Nahh… Isso seria exagero, e essa história n?o tem NADA de exagero. Nada mesmo, podem confiar…
Ps.: Perdoem-me por qualquer erro de digitação/português, estou com preguiça de reler o que escrevi.