WTF?
Levantou com a certeza de que aquele era O dia! Tinha que ser hoje, já estava com 32 anos e ainda era virgem. Todo dia ele se levantava e saía de casa com a certeza de que faria sexo, e todo dia voltava pra casa frustrado. Mas hoje era diferente, sentia seus hormônios dançarem por todo o seu corpo (não que nos outros dias fosse diferente, mas o otimismo era sua principal característica).
Todos os dias ele tomava um banho e saía de casa, prestando atenção em todas as mulheres que apareciam no seu campo de visão, era um predador, e qualquer (realmente, qualquer) mulher era uma possível presa. A todo instante, lembrava dos conselhos que sempre recebia: “Vai num puteiro, cara! Resolve logo isso… Tira essa uruca!“, mas ele não queria que fosse assim, queria que fosse natural, no ônibus imaginava quando uma daquelas mulheres, sem querer, sentaria em seu colo e resolveria o seu problema ali mesmo. Ao chegar no trabalho, se imaginava ficando preso no elevador com uma de suas colegas de trabalho, e tinha certeza que perderia a virgindade ali. Sentado, trabalhando, contava os minutos para que a secretária do chefe o convidasse para ir à sala de xerox. Mas nada disso acontecia. Nunca acontecia.
Todos os dias, ficava na empresa até mais tarde, rezando para que a senhora responsável pela limpeza o notasse e o violentasse ali mesmo, no chão molhado com cheiro de desinfetante. Mas ela o ignorava. Todas o ignoravam.
Seu azar com mulheres era tanto, que nem em festas de faculdade ele conseguia alguém. Nem aquelas meninas bêbadas que nem acordam quando alguém faz sexo com elas, e acreditem, ele tentou até com elas, mas na hora que foi tentar, o porre delas acabou, e ele foi expulso da festa.
“Mas hoje vai ser diferente!“, era o que sempre dizia (fazia parte de um exercício para melhorar sua auto-confiança) antes de sair de casa. E assim saiu, pulando os degraus da entrada de sua casa, cantando Like a Virgin da Madonna e dando bom dia a todos que passavam.
Caminhou confiante até o ponto de ônibus e observou quem aguardava o transporte coletivo também, Kátia estava lá, apesar de nunca ter trocado uma palavra que fosse com ela, sabia o seu nome de tanto ouvir suas amigas conversando naquele ponto. Sorriu para ela, mas não obteve resposta, tentou novamente e novamente não houve reação. Se posicionou à frente dela, olhou para trás e sorriu, e enfim ela disse “Algum problema?“. É, não seria daquela vez, mas também, era cedo demais para fazer sexo, passaria o resto do dia cansado e não trabalharia direito, era melhor tentar com outra mulher, mais tarde. É, era melhor assim.
Quando ele pensou “mais tarde“, ele quis dizer logo que entrasse no ônibus. A cobradora estava soltando o cabelo na hora que ele entrou, e nem o excesso de creme que manchava o uniforme dela conseguiu tranqüilizar os hormônios do nosso bravo herói.
“Bo-bo-bom di-dia“, ele disse, “O que que tem de bom? A merda da cidade tá toda engarrafada, tá um calor insuportável e eu ainda tenho que aturar passageiros gagos!“, ela respondeu. Pobre Virgínio, ele nem era gago, mas ficou nervoso. Sentou-se quieto no último banco do ônibus e se convenceu de que transar dentro de um ônibus era aventura demais. “Mas a recepcionista do prédio não me escapa!“, pensou tentando recuperar sua auto-estima.
Mas ela não foi trabalhar naquele dia, havia torcido o tornozelo e quem estava recepcionando as pessoas era o João da manutenção. Frustrado, mas ainda confiante, encaminhou-se para seu cubículo onde passou a planejar como assediar suas colegas de trabalho. Porém, nada do que planejamos acontece da forma como planejamos, e quando ele estava na sala de xerox, sozinho, a mulher mais linda da empresa entrou esbarrando nele.
- “Ohh… desculpa, eu estava distraída”
- “Err… se-sem proble-problemas”
E o mais impressionante aconteceu, ela fechou a porta da sala e o agarrou ali mesmo, fizeram sexo por horas e em todas as posições imagináveis, coisas que nem Calígula teria coragem de tentar. Não se importaram com o barulho, com os gemidos, com nada… Aquela sala se tornou a representação física do prazer supremo, e o que aconteceu ali dentro assustaria até o mais experiente ator de filmes de entertenimento adulto.
Infelizmente, nada que é bom dura pra sempre. E ele foi pego em flagrante, e demitido por justa causa. Os gritos chamaram a atenção de todos e ele foi encontrado se masturbando na sala de xerox, clamando pelo nome de Jussara, a mulher mais linda do escritório, que ficou horrorizada quando descobriu o que ele estava fazendo enquanto gritava seu nome.
O mais interessante de tudo é que ela também era virgem, e também tinha 32 anos. E permaneceu assim até os 45, quando entrou para a Igreja e foi seduzida por um coroinha. Mas essa é uma outra história.
Complicado definir o tema de algo. Os pseudo-intelectuais dizem que "Definir é limitar", mas talvez definir seja se encontrar, ou algum outro sentido que vocês queiram. Nunca consegui definir exatamente o que falo aqui, mas na maioria das vezes faço isso com humor. Às vezes falo sério demais, e às vezes nem falo, enfim, tudo que eu achar interessante, coloco aqui. Tem gente que gosta, tem gente que nem sabe que escrevo aqui. Agora, pare de ler isso aqui e presta atenção nos posts no lado esquerdo do site!
vitinh0
outubro 25th, 2006 às 16:44
essa historia eh real baseada em daniel hefe aiuhaiuhaiuahiauhaiuhaiuhaiuah
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