E aí? Tudo bem? Quanto tempo, hein?

Permitam que em me apresente, sou o fim de tudo e o início de nada. Não, nada de metafísica complicada, sou apenas isso aí, ou melhor, aqui.
Não entendeu? Então presta atenção…

Essa não é uma história sobre um cara que tinha tudo na vida e ao mesmo tempo não tinha nada, e muito menos sobre o outro cara que não tinha nada, mas tinha tudo. Nada de fantasmas natalinos, explicando o real sentido do Natal.

É uma história comum, sobre uma pessoa comum, assim como você. Você tem problemas, não tem? Teve desilusões, amores perdidos, amores reconquistados, amores nunca encontrados. Mas também, isso aqui não é uma coisa tão comum assim, afinal, se fosse desse jeito, o que faria com que vocês lessem tudo isso? Histórias “sem sal” (apesar de serem boas para hipertensos) não costumam agradar muita gente.

Todos querem ler sobre coisas que nunca vão viver, sobre situações que vivemos mas com desdobramentos diferentes. Ninguém quer ouvir uma história sobre um cara que trabalha nove horas por dia, todos os dias. As pessoas gostam de fantasiar, de desejar ter algo que nunca poderão ter.

O que?! Não, nada disso, isso aqui não é uma palestra de auto-ajuda. Eu jamais conseguiria ganhar dinheiro dessa forma, e aliás, eu nem tô ganhando nada pra escrever aqui.

Mas vamos voltar ao que eu estava falando. Preste bem atenção! Essa é a sua história. Sua vida retratada por mim, com os devidos exageros para tornar tudo mais interessante, com um pouco mais de desgraça para alegrar os leitores (sim, o povo adora rir da desgraça alheia), um pouco mais de coragem, para você tomar certas atitudes que nunca saem da sua cabeça e mais uma dose de vontade, que é só o que falta pra tudo caminhar.

Então, onde estamos? Vejamos… Você está lanchando em uma pastelaria, dessas que vendem água amarelada dizendo que é refresco. O dono é um chinês maldito, que nunca corta as unhas. Sabe aquela coisa asquerosa? Pois é, aquelas coisas asquerosas, que ele chama de mãos, tocaram no seu pastel, mas você nem ligou e comeu mesmo assim, porque só quem come em lugares sempre limpos são os personagens da novela das oito (que começa às dez).

Você não quer sentar e conversar, você precisa comer rápido para não perder o ônibus e não chegar atrasada no estágio. Ahhh sim, já tinha quase esquecido esse detalhe. Você está estagiando. Mas que bosta, hein? Pois é, mas é assim que geralmente se começa, ralando e fazendo tudo que seu chefe não quer fazer. Você não é pobre, mas também não come brownies no Garcia & Rodrigues todos os dias.

Não há muito do que reclamar, você tem uma vida tranqüila, talvez se irrite com seus pais de vez em quando, talvez tenha vontade de resolver certas situações que saem ao seu controle, talvez sonhe com uma vida ainda mais tranqüila, mas isso pouco importa agora. Você quase nunca tem tempo para pensar na sua própria vida, você apenas vai vivendo, sem conseguir enxergar ao certo para onde está indo.

Percebe alguma semelhança com a sua vida? Pois prepare-se, pois agora tudo muda!

Certo. Agora o tempo está parado, a câmera que te filma está rodando ao seu redor e você está congelada no tempo-espaço, com o braço esticado tentando alcançar o trombadinha que levou sua mochila. Tudo ao seu redor está parado também. Apenas a sua mente funciona e você acha tudo isso muito estranho, não consegue compreender a razão de viver a vida desse jeito, sendo carregada pelas marolas ocasionais, desse maldito lago de inércia. É nesse momento que você decide mudar sua vida!

O que acontece em seguida? Calma, calma, não posso contar tudo de uma só vez, né? E eu ainda tenho que acordar cedo para ir trabalhar, então… Até o próximo episódio.