Domingo à noite

“Todo mundo espera alguma coisa
De um sábado à noite…”

- Lulu Santos, Sábado à Noite

[...Continuação...]

Histórias lineares são chatas e repetitivas. É minha opinião.

O grande lance é avançar e retroceder no tempo, para confundir o leitor. Convenhamos… Existe algo melhor do que confundir um leitor? Tudo bem, existe, mas ainda assim, confundir é sempre bom.

E é por isso que essa parte da história acontece algum tempo depois do capítulo anterior, exatamente quanto tempo não importa, o que importa é que nossa personagem está em uma nova fase, basta saber que ela conseguiu cumprir suas metas.

Essa foto e o pedaço da música são para ilustrar a seguinte situação:

Uma boate qualquer, num domingo à noite, ela queria apenas se divertir, relaxar um pouco do novo trabalho que tinha conseguido (um outro estágio, onde ela finalmente percebeu que estagiário sofre em qualquer lugar, não é algo que dependa do seu chefe), talvez beber um pouco e dançar muito. Apenas dançar.

Um grave problema que toma conta de nossa sociedade atual é que não importa o que as mulheres queiram, alguns homens ainda possuem costumes da era pré-histórica, onde quem tinha o maior tacape podia ter a mulher que quisesse e a arrastava para sua caverna. A situação ocorreu da seguinte forma: Sentada perto do bar, bebendo algum drink colorido (coisas que mulheres bebem por acharem o drink bonitinho), esperando tocar alguma música mais agitada, quando um desses brutamontes se aproxima e te puxa pelo braço, derrubando sua bebida.

- QUE ISSO?!!? Me solta!!
- Que isso gatinha, chega aqui que eu vi que você tava me olhando. Vem cá, me dá um beijo…

Ele mal conseguiu terminar a frase. Tudo que se ouviu foi o gemido do brutamontes e o barulho do mesmo caindo no chão. Um chute bem aplicado no órgão genital do indivíduo foi o suficiente para que os seguranças só tivessem o trabalho de jogá-lo pra fora da boate, e enquanto você pedia outro drink, uma pessoa se aproximou.

- Olá… (disse, meio envergonhado)

E quando você olha para ver quem está falando, se surpreende. Seu ex-namorado, sorrindo.

- Eu já ia chegar pra te ajudar, mas vi que você estava se saindo muito bem sozinha.
- Err… Oi… É, eu tenho me resolvido bem sozinha. Está tudo bem com você? Faz tempo que não nos falamos.
- É… Desde que você terminou comigo. Ainda estou tentando me reerguer.
- Se reerguer? Mas já fazem…
- 4 meses, 5 dias e 3 horas.
- Só isso?
- Isso tudo.
- E você está mesmo contando o tempo?
- Você não?
- Não.
- É. Eu não consigo evitar. Mas não quero ficar choramingando a sua falta, aos poucos vou voltando ao normal. Mas ainda espero que você volte pra mim.
- Quem sabe um dia…
- Quem me dera saber…
- Você está sozinho aqui?
- Vim com uns amigos, pra me distrair um pouco. E você?
- Estou sozinha.
- Não quer ficar junto de nós?
- Não, acho melhor não.
- Tem certeza?
- Acho que sim.
- Você quem sabe, qualquer coisa estou lá naquela mesa do canto.
- Tudo bem. Bom te rever.
- Também gostei de te rever, você está ainda mais linda. Seu novo corte de cabelo combinou com você.
- Você reparou? Porque quando namorávamos você nunca reparava.
- É, a gente passa a perceber melhor as coisas quando não as temos.
- Pois é.
- Bom, então eu vou voltar pra junto do pessoal. Tchau.
- Tchau.

Ex-namorado. E você não terminou porque não gostava mais dele. Terminou apenas porque queria mudar sua vida, se sentir livre. Observando agora, é inevitável sentir saudades, mas recaídas estão proibidas.

Ele parecia realmente sentir a sua falta, mesmo estando rodeado de amigos, não parava de olhar para você, não percebia nem as outras mulheres olhando para ele. Você continua dançando, tentando afastar esses pensamentos de tentar uma segunda vez com ele, mas sempre se pega olhando para onde ele está. Até que não o vê mais, e fica olhando para os lados, procurando.

- Está me procurando? …

[...Continua...]