fevereiro 3rd, 2007E contando…

E aí pessoal. Tudo na paz? Paz… estamos longe disso ainda.

Quinta-feira, como escrevi aqui, lançamos o Riobodycount, a repercussão foi MUITO maior do que imaginávamos, e o apoio das pessoas ainda maior.

Reproduzo aqui, o excelente texto escrito por André Dahmer, companheiro nessa contagem.

NÓS QUE AQUI ESTAMOS, POR VÓS ESPERAMOS

O site Riobodycount, que abri com Vinicius Costa há dois dias, rodou o mundo ontem. Após ser noticiado nas grandes mídias do Brasil, foi pauta de agências de informação européias e internacionais. Sofremos um assédio enorme da imprensa durante todo o dia de ontem e preferimos não gravar entrevistas para a TV, optamos por esclarecer perguntas por e-mail e através de depoimentos para algumas rádios. Achamos que o foco das matérias deve ser o projeto, e não quem os realizou.

Recebemos centenas de mensagens de incentivo e até propostas de patrocínios, prontamente recusadas. Não seremos nós mais um grupo a lucrar com o mercado do medo e da violência do Rio de Janeiro. Também vimos jornalistas truculentos de jornais de terceira categoria usarem o site para bradar por mais polícia, mas já contávamos com isto. Aqui no Rio, cada vez mais a imprensa e a opinião pública clama por leis mais rigorosas, por redução da maioridade penal, por pena de morte…estes sintomas da guerra mesmo.

Eu, particularmente, não me interesso por uma paz vigiada e frágil, mantida por um Estado truculento. Esta paz feita por câmeras de segurança, armas e carros de guerra. Na verdade, precisamos mudar o foco da discussão e dos investimentos. Precisamos sim de uma intervenção federal. Mas não uma intervenção armada, como esta que está em vigor e como outras que foram propostas por anos. Precisamos sim é de uma intervenção social séria, uma força-tarefa de médicos, engenheiros, professores…gente capaz de redesenhar os bolsões de miséria do Rio de Janeiro, ao custo que for.

O governo federal deu uma mostra de boa vontade, ao liberar alguma quantidade de dinheiro para a urbanização da Rocinha. Mas ainda é pouco, muito pouco. Desafio o governo estadual e federal a iniciarem um projeto sério e de curto prazo para a completa urbanização da Maré e de todo o Complexo do Alemão, por exemplo. Verdadeiras zonas de guerra habitadas por milhares de inocentes, estas áreas precisam de investimento pesado imediato, com a total construção ou reforma de sua infra-estrutura e de seus serviços públicos básicos, que são praticamente inexistentes. Se não fizermos isto já, teremos coisas bem mais graves ocorrendo em cinco anos. Muito mais graves do que podemos imaginar agora.

O objetivo do site está sendo cumprido: fomentar discussão e pressionar autoridades. Peço ainda aos cariocas que não se iludam: a cocaína e o tráfico de armas são apenas sintomas de uma doença. Se simplesmente sufocarmos a entrada de drogas na fronteira, teremos como resultado o aumento de roubo de carros, assaltos e seqüestros, entre outros.

A indiferença e o descompromisso com os pobres é o embrião do inferno das mortes precoces e violentas de milhares de garotos que tinham muito a dar ao país. A discussão deve girar agora em torno do direito ao conhecimento, ao trabalho, aos serviços públicos básicos. Não podemos mais tolerar soluções simplistas e ineficientes, pautadas sempre na questão policial.

Ainda há tempo de fazer uma grande revolução no modo de enxergar nossos problemas, no modo de tratar estes problemas. O debate está aberto. Nós que aqui estamos, por vós esperamos.

Creio que não preciso dizer mais nada.

fevereiro 1st, 2007Pá-Pum

Riobodycount

Chega de Bienal.

Falar sobre cultura é sempre bom, mas agora é hora de falarmos de um outro assunto, sei que muitas vezes utilizo de humor para escrever por aqui, mas agora o assunto é sério… BEM sério.

Talvez vocês nunca tenham ouvido falar do site Iraqbodycount, talvez não se importem com os Iraquianos que já morreram e continuam morrendo, não há como culpá-los disso já que é uma realidade relativamente distante, assim como as crianças na África e/ou os pivetes do Rio de Janeiro.

Rio de Janeiro? Bom, aí a realidade está na nossa janela. Quem mora aqui sabe, mortes naturais são tão raras que quando acontecem, viram celebrações. A situação é caótica há muito tempo, mas ultimamente, devido a “mudança” da gestão do Governo e pelo PAN 2007 também, a mídia vem focando cada vez mais nesse problema.

E se a mídia gosta de assustar, então vamos mostrar como é a realidade e fazer com que ela não caia no esquecimento.

Riobodycount. A contagem se inicia hoje, e é lá que vamos registrar todo e qualquer tipo de violência que aconteça na nossa guerra civil não declarada.

Inicialmente seremos eu, Dahmer e Léo Torres, realizando essa tarefa, mas a intenção é criar uma equipe que esteja interessada em fazer esse relato conosco, sem limite de quantidade. A guerra está aí, e não podemos deixar que essas mortes virem apenas números esquecidos, não é possível que todo mundo ache normal a morte de 39.017 pessoas em 5 anos (de 2000 até 2005, segundo o CESEC), vítimas de homicídios dolosos.

Essa contagem não é algo que nos orgulhamos de fazer, mas contabilizar isso se faz necessário agora, já que a violência está banalizada. Nosso desejo é que os números caiam cada vez mais.

A contagem começou.

fevereiro 1st, 2007O mais esperado

Com toda certeza, os shows do Mr. Catra e do DJ Malboro eram os mais esperados de toda a Bienal, afinal, vir ao Rio e não ir a um baile funk, é o mesmo que vir ao Rio e não ser assaltado, ou pelo menos conhecer alguém que já foi.

O bagulho t? s?rio...

Pra quem não estava lá, deixo aqui 3 vídeos com uma amostra do que aconteceu durante a noite do 4º dia da 5ª Bienal de Arte e Cultura da UNE, no Rio de Janeiro – Lapa.

O DJ Malboro não foi, disse que o cachê era muito baixo, e disse isso pouco tempo depois do dinheiro ter caído em sua conta bancária, aqui está a resposta que o Mr. Catra deu para o Funk da Mídia…

Mas o mais impressionante é que quando toca o Funk, as máscaras caem… As pessoas revelam sua verdadeira natureza, o real motivo disso é difícil saber, mas poucos são os que conseguem ficar parados, todos dançam, todas rebolam… Pessoas que você olhava e pensava “Não, ela não, ela jamais faria isso…“, acabam fazendo coisas que falaram que não iam fazer. É o Funk tomando o baile de assalto.


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