WTF?
O jogo era Brasil x Argentina, e o placar estava apertado 5×4 pro Brasil, Maracanã lotado, a torcida brasileira cantando e incentivando o time como se fosse a torcida do Flamengo em final de campeonato (e quem já esteve na torcida do Flamengo, sabe do que eu estou falando), bom, na verdade, grande parte da torcida era Flamenguista, mas isso não vem ao caso… O importante é, ele odiava futebol, nem mesmo de jogar no videogame ele gostava, mas resolveu ir ao jogo, só para ficar mais perto da menina que ele tanto gostava. Faltava-lhe coragem para se declarar e por isso ele decidiu ir ao jogo, esperava criar coragem no meio daquele tumulto, torcia para ser contagiado por toda aquela emoção que era uma partida de futebol, afinal, era o que todos lhe diziam.
- Rapá, tu tem que ir num jogo, qualquer jogo, para sentir aquela emoção. Mas tem que ser um jogo com uma torcida animada, senão você vai dormir.
E nada pode ser mais animado que um jogo do Brasil x Argentina, certo? Bom, ele estava certo mas…
O 1º tempo acabou e ele não havia conseguido falar nada, nem prestava atenção no jogo, ficava apenas olhando para ela e torcendo para que o Brasil fizesse outro gol, para que ela se animasse e lhe desse outro abraço. O fato dela abraçar todos ao seu redor, não lhe importava, ele considerava o seu abraço como sendo o mais especial de todos.
Começa o segundo tempo… Ronaldinho toca para Robinho, que dribla dois, três, quatro, recua a bola para Obina (isso é uma história fictícia, ok?) que chuta com toda a sua força, e o goleiro argentino não consegue segurar, a arquibancada explode de tanta alegria, todos comemorando o aumento da vantagem no placar, a sensação é de que tudo aquilo vai desmoronar. Ele respira fundo, olha pra sua amada, abre a boca, estica a mão e… … Ela o abraça gritando “É GOOOOOOOOOOOOOL, PORRA!!!!!!“.
Nada melhor para quebrar um clima do que um “porra” assim, expelido com todo o ar dos pulmões, com toda a raiva que ela sentia da Argentina. Meio sem graça ele pulou e comemorou com ela, e resolveu desistir, estava condenado a nunca conseguir falar nada.
O jogo acabou, os torcedores foram para suas casas, ou para os bares, bebemorar a vitória, e ele, ela e o resto do grupo que foi ver o jogo, resolveram parar em um bar também, afinal aquela era uma situação que merecia ser comemorada com estilo! Ganhar da Argentina era quase como receber a visita do Papa, ou receber a notícia da cura da AIDS. Definitivamente era algo que merecia ser comemorado.
Como sempre, ele tentou ficar o mais próximo possível dela, mas sem conseguir falar direito (óbvio, né? Ele ainda estava chocado com o “É GOL, PORRA!“), até que por algum acaso do destino, o resto do pessoal se levantou da mesa, uns foram ao banheiro, outros foram brindar com estranhos e sacanear os bravos argentinos, que se arriscaram a ir para aquele bar, mesmo após a derrota.
Ela sorriu para ele, e o seu sorriso brilhava, talvez fosse por causa do aparelho que ela usava no dente, mas pra ele isso não importava, havia algo a mais naquele sorriso, que o tirava do chão e roubava seu fôlego. Mesmo nervoso, tentou sorrir de volta e quando ia falar algo, um amigo seu chegou e a tirou para dançar. Animada com a vitória, e um pouco alterada por causa das cervejas que bebeu, ela foi e ele ficou, ficou meio triste, pra baixo e resolveu que era hora de ir embora.
Deixou um dinheiro em cima da mesa, para ajudar a pagar a conta e começou a caminhar em direção à rua, tentando não ser visto por ninguém. Ele estava quase lá, quando sentiu uma mão puxando seu braço, seu coração quase saiu pela boca, aquilo não podia estar acontecendo, seria mesmo verdade? Será que ela não queria que ele fosse embora?
Devo contar que ele não ficou muito feliz ao se virar e perceber que não era ela, e sim um argentino dizendo que mesmo com aquela derrota, Maradona ainda era melhor que o Pelé. Provavelmente foi o álcool que o fez puxar esse assunto, já que nem Maradona e nem Pelé jogaram naquele dia. Maradona devia estar tirando o pé de sua casa, e o Pelé negociando um fornecimento de Viagra, mas só depois de ter falado com o seu médico.
Enfim… Ele puxou o braço e se livrou do argentino, continuou andando até o seu carro, onde ela o esperava.
- Onde o senhor pensa que vai?
- Errr… Eu tenho… Eu… Eu vou… Tenho que ir pra casa.
- E vai sair sem se despedir de mim?
- Bom, é que… … Você… Achei que você estivesse… Ocupada, você sabe, dançando…
- Estava… Mas não estou mais.
E sem deixar com que ele reagisse, tascou-lhe um beijo na boca, mas daqueles beijos cinematográficos mesmo, de fazer as senhoras de idade fecharem os olhos de vergonha.
Só podia ser sonho, ele não conseguia acreditar que aquilo era verdade, mas aproveitou ao máximo aquele momento. Quando ela resolveu parar e ele ainda estava tentando recuperar o fôlego, ela disse:
- Da próxima vez, fale o que quer falar na hora que sentir vontade, não fique com vergonha.
- Mas… Mas é que…
- Sem mas… Quando você criar coragem para falar comigo, ganha um outro beijo desses.
- Eu… … Eu…
- Não, hoje não… Quando você quiser, sabe onde me achar.
E foi embora, sorrindo como sempre. E ele ficou lá, com cara de bobo como sempre.
No dia seguinte… Bom, no dia seguinte aconteceram outras coisas, mas só vou relatar aqui em outro dia. Até!
Complicado definir o tema de algo. Os pseudo-intelectuais dizem que "Definir é limitar", mas talvez definir seja se encontrar, ou algum outro sentido que vocês queiram. Nunca consegui definir exatamente o que falo aqui, mas na maioria das vezes faço isso com humor. Às vezes falo sério demais, e às vezes nem falo, enfim, tudo que eu achar interessante, coloco aqui. Tem gente que gosta, tem gente que nem sabe que escrevo aqui. Agora, pare de ler isso aqui e presta atenção nos posts no lado esquerdo do site!
Nessinha
março 27th, 2007 às 1:08
A cada dia vc me surpreende mais!…
Qta criatividade… hehehe…
Suas hist?rias s?o incr?veis!!!
T? doida pra l? o px cap?tulo desta…
V se n?o demora muito, pq jah estou super hiper mega curiosa! kkkkkkkk…
T ADORO VI!!!
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Vinicius Cabral
março 29th, 2007 às 8:48
hehehehehe…
Maneira a hist?ria, xar?!
Abra?o!
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Desconhecido
abril 3rd, 2007 às 14:50
Continue a hist?ria!
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Clara
abril 10th, 2007 às 15:31
Oi, menino!
?timo blog. E parab?ns pelo projeto do rio body count, que levantou muita poeira e discuss?es pertinentes sobre a j? t?o banalizada viol?ncia.
(Ah, parab?ns tamb?m por aturar o Dahmer)
Beijos!
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Clara
abril 11th, 2007 às 11:24
Como ? que ? isso? De dia conta mortos e de noite escreve novelinhas?
(Segredo: detesto los Hermanos! Acho que n?o sou nem um pouco moderninha…)
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Nessinha
abril 22nd, 2007 às 1:54
Voltei aqui pq quero mais historinha!!!
E pq lembrei q o Thiago disse exatamente essa frase do t?tulo agorinha… hehehe
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