Então, o que aconteceu foi o seguinte: Ele resolveu ligar pra ela. Ela, já tinha resolvido ligar para ele, mas não ele ele, era um outro ele. Peraí, vamos organizar isso. Com nomes fica mais fácil, certo?

  • Ele = João
  • Ela = Maria
  • Outro ele = Carlos

Nomes simples para simplificar o entendimento, na verdade os nomes deles não eram esses, eu não tive tempo de prestar atenção, mas a partir de agora eles se chamam assim.

João pensou em ligar para Maria, que já tinha pensado em ligar para Carlos, que estava pensando em jogar o telefone pela janela (ou na parede, tanto faz, ele só queria fazer alguma coisa com o telefone e não queria ligar pra ninguém). O telefone de Carlos tocou alguns segundos antes de atingir a árvore que ficava em frente a sua janela, e em um reflexo rápido (estúpido, porém rápido), ele pulou pela janela para atender o telefone antes dele se quebrar na árvore.

Esse é um defeito da humanidade, o telefone toca e todo mundo quer atender o mais rápido possível. Pais de família, que gostam de futebol e cerveja, conseguem resistir a esse instinto primitivo, e só atendem telefones quando a esposa berra, segurando 2 filhos no colo e preparando o almoço, dizendo que ele poderia deixar de ser um desgraçado inútil e atender a porcaria do telefone. Mulheres ocupadas sabem ser bem convincentes quando necessário. Mas vamos voltar para a história.

Ele pulou, e apesar de ter uma árvore em frente a sua janela, não era uma árvore comum. Era um Jequitibá, daqueles de 300 anos de idade, com quase 1Km de altura (exageros facilitam a compreensão). Bom, em 1Km

de queda livre (quase livre, mas não vamos nos prender a detalhes, assim como ele não se prendeu a nenhum galho que estava entre ele e o chão), você tem bastante tempo para pensar. A vida de Carlos não era tão interessante e grande assim, então, após os flashes, ele ficou pensando em outras coisas como “PutZ! Esqueci a porta da geladeira aberta!“, “Não vou poder ver o último episódio de Lost“, “Pelo menos também nunca mais vou ouvir falar de Desperate Housewives“, “Ih! Olha ali, a Verônica do 27º andar está traindo o marido“, “Ih, ó o marido da Verônica no 25º andar com a Flávia!“.

SBLOCH!

Bom, eu não sei se esse foi o barulho que ele fez ao se espatifar em cima do velocípede do Pedrinho (que nunca mais conseguiria andar no seu bibi, e, visivelmente traumatizado, passaria o resto da vida tremendo e olhando para cima), o fato é que a única coisa que sobrou intacta, foi um de seus globos oculares, que ficou preso na câmera de segurança do prédio, fazendo com que o Seu Juvenal borrasse suas calças. Veja bem, Seu Juvenal não era um homem medroso, não mesmo, longe disso… O problema era que ele havia tido um pesadelo na noite anterior, depois de ter visto o último filme do Senhor dos Anéis, e ficara realmente impressionado com o “Olho que Tudo Vê“. Seu Juvenal nunca mais veria filmes medievais depois de comer uma feijoada no jantar.

Esse é outro problema da humanidade, o malandro se empanturra de comida pesada, dorme, tem um pesadelo, e coloca a culpa no filme. Se ainda fosse Dungeons & Dragons (que é um filme porcaria)…

E o telefone? Pois é, o telefone de Carlos era um daqueles que não quebram, sabe? Não, não tem mandinga é um daqueles aparelhos indestrutíveis mesmo (tipo esse aqui), e a única coisa que aconteceu foi que, quando ele bateu no chão, atendeu a ligação de Maria, que ficou falando “Alô? Carlos? Alô?“, e depois de muita insistência e de chamá-lo de grosso por ficar mudo no telefone, desligou e atendeu a chamada em espera, que era do João, a convidando para ir ao cinema.

Ela aceitou e foi, nunca mais procurou por Carlos, e mesmo que procurasse, não ia achar, né?