Pois bem, fui no 13º Encontro de Webdesigners, evento organizado pela Arteccom, neste último sábado (10/05/2008) aqui no Rio de Janeiro. O que posso dizer sobre o evento? É isso que você quer saber?

Bom, na minha humilde opinião foi “mais do mesmo“, no melhor sentido desta expressão. O tema do encontro era “De volta às origens: A inspiração antes da tecnologia“, justamente seguindo uma tendência do “mercado” atual, de profissionais (porque o mercado [sem aspas] mesmo, não tá nem aí para inspiração, ele quer é produtividade, e em prazos apertados), querendo que as pessoas parem de depender tanto da tecnologia, que mesmo quando faltar luz, sejam capazes de ter boas idéias e traçar planos.

Hoje em dia, qualquer um pode aprender a mexer no Photoshop, AfterEffects, 3dMax ou qualquer outro programa, a ferramenta NÃO pode ser o seu diferencial no mercado, seja qual for a área que você quer atuar. Acreditem, mesmo em programação, a linguagem NÃO pode ser o seu diferencial.

Você precisa entender como o sistema funciona, você precisa ter fontes de inspiração para criar uma boa campanha, você precisa PENSAR antes de EXECUTAR. Saber mexer muito bem em uma determinada ferramenta só vai te conseguir um cargo “técnico“, onde você vai executar algo que o cara que teve a idéia te passou, e você vai ficar revoltado porque aparentemente ele trabalha menos que você e ganha mais (e é bom destacar que isso é só na aparência mesmo, pois assim como Gerentes não ficam de bobeira o dia inteiro só mandando nos outros, os “criativos” possuem inúmeras outras tarefas, além de criar). Mas você já parou pra pensar no real motivo disso tudo? O que vai acontecer se, por algum motivo, a empresa resolver mudar todos os seus computadores (vamos supor que você utilize PCs), e passem a usar Macintosh em todos os ambientes. O que vai acontecer com você, que só sabe mexer no Photoshop? Nunca usou Mac na vida… Vai ter tempo de se atualizar? E se a empresa não quiser investir em treinamento? Já deu pra perceber qual será o seu destino, né?

E o cara das idéias? Qual a diferença de ele usar Mac ou PC? Ele pode continuar acessando o webmail dele, da mesma forma.

Óbvio que estou exagerando, óbvio que ele não fica apenas tendo idéias todos os dias, ele precisa executar algo também, mas a questão é que ele não é ferramental (essa palavra existe?), ele não depende única e exclusivamente de uma ferramenta, de um software, para se destacar no mercado. E então você me pergunta, “Mas ué, se é tão melhor ser criativo, porque as pessoas se especializam cada vez mais em ferramentas?“, ora… O que é mais fácil? Criar alguma coisa desde o início, ou receber um plano dizendo extamente o que você tem que fazer?

Todo mundo adora reclamar que trabalha demais, que é explorado, que é peão. Mas na hora de mudar isso, a maioria prefere fazer um curso sobre alguma ferramenta, ao invés de procurar inspiração. Ferramentas, softwares, só servem para te AUXILIAR, e eu repito, NÃO devem ser o seu diferencial.

O evento foi, no meu entendimento, sobre isso. Claro que a maioria das pessoas nem percebeu, aliás, esse é um outro detalhe interessante. A maioria das pessoas presentes no encontro tinham entre 14 e 18 anos, Acho que isso já diz muita coisa sobre o que as pessoas poderiam entender das palestras. De forma alguma estou dizendo que eles eram burros, mas completamente imaturos para entender, por exemplo, o conceito por trás de uma campanha feita pela Agência Click.

Logo no início do evento, o CrisDias já lançou a seguinte mensagem no Twitter: “@crisdias #EWD Excursão escolar no evento? Caramba, tô velho.“, e não era culpa dele (que realmente está ficando velho), mas a culpa foi da organização do evento. Podem me atirar pedras e me xingar à vontade, um evento desses TEM que ter um público selecionado, não digo nem para aumentar o preço (já que a maioria dos pais que paga um cursinho na MicroCamp para seus filhos, não vai querer pagar caro em uma palestra), apenas que coloque um limite de idade, não há nada mais irritante do que miguxos tentando puxar um coro de palmas toda vez que aparece um vídeo com uma música de fundo. Ou então quando começam a jogar bolinhas de papel um no outro… Não é culpa deles, estão na idade de fazer isso mesmo, mas o que parecia é que eles estavam indo à uma palestra do colégio, apenas porque iriam ganhar 2 pontos na média de uma determinada matéria, ou seja, forçados.

Eu acho que a juventude (é, agora eu que tô me achando velho), tem que ter acesso à essas informações, mas que seja feita de outra forma, em outro lugar, até mesmo dentro do curso deles mesmo, por que não? Pelo menos lá, eles não atrapalhariam os outros que se inscreveram no Encontro e pensaram que poderiam assistir às palestras sem maiores incômodos.

Se aquela molecada é o futuro do Webdesign no Brasil, é melhor nos preparamos para a invasão de sites “bunitinhuUuuUUus“, no pior estilo “miguxês” de se escrever.

Na hora da mesa redonda, onde o público poderia fazer perguntas o destaque fica para a ignorância humana. Não vou nem comentar a idéia que alguém da organização teve, de ficar jogando uma bola amarela para a platéia, e quando a musica parasse, quem estivesse com a bola na mão, era obrigado a fazer uma pergunta. O público, adolescente, adorou. Mas quando terminou essa “brincadeirinha”, e qualquer pessoa podia fazer uma pergunta, uma senhora (já com seus 40 anos, ou mais até) se levantou e disse. “Trabalho na agência ______ e trabalhamos com coisas online, campanhas e tal, estamos querendo entrar nesse mercado. Gostaria de saber como faço para convencer o meu cliente de que a Internet tem futuro” (não vou falar o nome da agência dela).

Gostaram da pergunta? A cidadã vai em um evento sobre WEB, diz que VENDE WEB e depois fala que NÃO SABE  COMO VENDER?? Será que só eu achei isso estranho? Ponto para o Raphael Vasconsellos (da Agência Click) que disse “Você tem que convencê-lo de que internet tem PRESENTE, e não futuro“.

Mas no final das contas, foi um bom evento, não tão bom quanto o FIND (organizado pela mesma empresa) do ano passado, mas ainda assim muito bom. Tive o prazer de conhecer, ao vivo, Cris Dias (chefão da Vilago, do RadarPop e sacerdote da seita BiriLost), Sandra Landeiro (ou melhor, @sangerine – a menina hiperativa) e o Douglas Negreiros (o gigante portátil, sempre mexendo no seu iPodTouch).

Agora é começar a contagem regressiva para o InterMinas2008, dia 17/05/2008 em Belo Horizonte, bem no dia do Festival de comida de buteco! Ou seja, comida boa e saudável para todos!