Lata de sardinha
O blog tá uma bagunça ainda, e não tenho previsão de quando vou arrumar… Faltam os links, falta reduzir essa lista de posts antigos, falta voltar a postar com freqüência… E falta tempo, falta muito tempo livre pra fazer isso.
Inspiração não falta, aliás nesses últimos dias tem acontecido tanta coisa que me renderia uns 3 meses de Histórias (Sur)Reais sem esforço… Taxistas malucos, motoristas de ônibus piores ainda e boate lotada…
Boate lotada? Pois é, acho que foi a situação mais bizarra dos últimos dias… Me respondam: O que leva uma pessoa a pagar caro para entrar em uma lata de sardinha CHEIA?
Pois é, aqui no Rio de Janeiro isso é moda agora… As “melhores” boates, as boates “da moda“, podem ser facilmente identificadas por terem 3 itens principais:
- Serem menores que meu quarto;
- Estarem sempre lotadas, e na sua maioria de homens com camisas apertadas, daquelas que o tecido parece o rosto da Glória Menezes;
- Serem mais caras que… Bem, mais caras que muita coisa. Com 2 ou 3 idas a uma boate dessas, dá pra sustentar uma família;
Eu sei, sei que não é exclusividade carioca, mas eu moro aqui então estou falando do que vejo. Filas intermináveis, pessoas puxando o saco de seguranças pra conseguir entrar na frente, ou então pagando mais caro, só pra entrar primeiro… Não dá pra entender.
Pode ser que eu esteja ficando velho, mas acredito que a sensação de não conseguir respirar me incomodaria mesmo que eu tivesse 18 anos, e isso é o menor dos problemas… Pior do que não conseguir respirar é sentir bundas masculinas se esfregando em você. Não dá, simplesmente não dá… Tô ficando velho mesmo. Se fosse uma boate GLS (ou GLBTTETC, ou seja lá a sigla que estão usando hoje em dia) você até entenderia, eu não estaria lá, mas eu entenderia se alguém me falasse assim “Nossa, tava um esfrega-esfrega de bundas lá dentro”. Compreensível, não? Afinal, nenhum homem que estivesse lá poderia se incomodar…
Mas a questão não era essa, era uma boate dessas da modinha… Eu que já trabalhei de fotógrafo em boates achei que estivesse acostumado, mas descobri que estava mesmo era aposentado… Na minha época não era assim.
Estava eu lá, tentando me manter em pé e praticamente implorando para a minha namorada para irmos embora e um cidadão que estava atrás de mim (de costas) resolveu que seria uma boa começar a rebolar pra lá e pra cá… Direta-esquerda, direita-esquerda, dá um pulinho e repete, direita-esquerda, direita-esquerda… Tentei chegar pra frente, e quase derrubo um copo de uma mesa para anões que estava na minha frente (a boate não tinha estilo japonês, mas as mesas eram para anões com certeza, pois batiam quase no meu joelho), mas dei espaço para que o ser rebolativo pudesse soltar a franga o quanto quisesse… Ledo engano achar que eu escaparia assim… O cidadão chegou pra trás e continuou rebolando, só que dessa vez me empurrando mais pra frente.
Vamos abrir um parênteses aqui. Espaço territorial, todo mundo tem o seu e quem não tem quer conquistar. Em eras passadas, isso era demarcado com urina, depois evoluímos para pedras, depois madeira, cercados, muros, cercas-eletrificadas e guaritas com seguranças. O importante é defender o espaço que você conquistou pela força ou com dinheiro.
Era isso que o jovem mancebo estava querendo fazer, ou então estava com muita coceira no lombo, porque ele parecia estar rebolando num poste mesmo. Ele estava usando sua bunda para ganhar território e poder dançar mais. Percebem o quão idiota isto é? Rebolando com as mãozinhas para o alto, numa tentativa de sobreviver naquela selva… Patético, mas funcionou pois eu acabei saindo dali e tentava sair o mais rápido possível daquele lugar.
Outro detalhe importante a se considerar nesses ambientes é que… As mulheres não podem reclamar de nada, se você se mexer, vai acabar se esfregando em alguém e vai reclamar como? Da próxima vez pense melhor se vale a pena pagar um absurdo para entrar ali, ficar ouvindo aquela música-bate-estaca e sair fedendo a cigarro.
Por sorte eu não paguei, e nunca pagarei, não importa o quão rico eu for. Aliás quando eu for BEM rico, eu até pago pra entrar, mas vou resevar o lugar TODO pra mim, e só convidarei 10 ou 15 amigos, que deveria ser a lotação máxima daquele lugar e não 300 pessoas como eles colocam.
Sem contar que não respeitam a lei de não fumar em locais fechados e mesmo já estando dentro do restaurante anexo à boate, e ter gastado um bom valor no jantar, ainda é obrigado a esperar que a boate esvazie um pouco (até agora não entendi isso, já que não cabia mais ninguém lá). Deviam chamar aquele quartinho de Coração de Mãe.
Ahh sim, antes que perguntem, a boate à qual estou me referindo é a Boox, e não recomendo para ninguém! Cara demais, espaço de menos. Quer sair pra dançar no Rio? Vai pro Rio Scenarium, que até fica cheião, mas não daquele jeito, ou então pra Hard Rock, que apesar de tocar sempre as mesmas músicas na mesma seqüência, NUNCA fica lotada e ainda tem uma varanda maior do que minha casa inteira, suficiente para se respirar e relaxar. Sem contar que ambas cobram infinitamente menos que a Boox.
UPDATE: Empolgado com minha insatisfação com a boate, acabei esquecendo de dizer que a parte antes de entrar na boate propriamente, ou seja, o restaurante Boox é muito bom. Bom atendimento, boa comida e um ótimo clima aconchegante com sofás e cadeiras bem confortáveis, tão confortáveis que um amigo meu cochilou várias vezes até que finalmente conseguimos iniciar nossa jornada rumo à lata de sardinha no 2º andar e o resto vocês já sabem…
Trackbacks/Pingbacks
- Fique por dentro Boate » Blog Archive » Boox, a boate da modinha | [Spy Inc.] - [...] com certeza, pois batiam quase no meu joelho), mas dei espaço para que o … fique por dentro clique ...













Cara.. ri muito com o seu texto
muito bom.. eh assim que eu me sinto nesses lugares tbm
hahaha
Reply
Nossa, ouvi falar tao bem dessa boate, que nao tem área vip pois a boate inteira é vip, depois de ler o texto, perdi a vontade de conhecer a boate… nao imagina que era daquelas boates latas de sardinha…
vlw
Reply