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	<title>[Spy Inc.] &#187; Quem Diria?</title>
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		<title>Quem diria&#8230; Parte II</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Apr 2007 05:14:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinicius Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Histórias (Sur)Reais]]></category>
		<category><![CDATA[Invenções]]></category>
		<category><![CDATA[Quem Diria?]]></category>

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		<description><![CDATA[No dia seguinte, ele acordou pensando se aquilo não teria sido apenas um sonho, mas ao abrir o jornal e confirmar que o Brasil venceu a Argentina, percebeu que não foi um sonho, pelo menos não igual aos sonhos que ele costuma ter quando dorme. Pra falar a verdade, era bem parecido com os que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No dia seguinte, ele acordou pensando se aquilo não teria sido apenas um sonho, mas ao abrir o jornal e confirmar que o Brasil venceu a Argentina, percebeu que não foi um sonho, pelo menos não igual aos sonhos que ele costuma ter quando dorme. Pra falar a verdade, era bem parecido com os que ele tinha enquanto dormia, mas&#8230; Vocês entenderam o que eu quis dizer.</p>
<p>Mas ele lembrou que era segunda-feira. Dia de trabalhar, aturar dois chefes chatos, em dois empregos diferentes, durante 6 horas em cada um. Era a única forma que encontrara de pagar suas contas e não depender mais de seus pais.</p>
<p>Já tentaram trabalhar com um &#8220;<em>problema</em>&#8221; na mente? Pois é, não dá. Não, nem me venham com aquele papo de separar a vida pessoal do ambiente de trabalho, simplesmente não dá. Ainda mais quando este &#8220;<em>problema</em>&#8221; que não sai da sua cabeça, é um beijo que ele recebeu de uma morena de parar o trânsito. Mas não era apenas uma morena que despertava desejos luxuriosos em quem a olhasse, era a SUA morena, aquela que ele desejava há tempos e que lhe surpreendeu ao demonstrar que sabia das suas intenções.</p>
<p>Conclusão&#8230; Um dia estressante, levando esporro de ambos os chefes, sem conseguir se concentrar direito nas tarefas. Tudo piorava quando ele pensava que a semana mal tinha começado.</p>
<p>Cansado, irritado, estressado, desesperado para chegar em casa ele desce do prédio onde trabalha e vai andando, cabisbaixo, em direção ao ponto de ônibus, já que seu carro estava quebrado, quando esbarrou em alguém e sem ao menos olhar pra cima, pediu desculpas.</p>
<p>- Não, não te desculpo não.</p>
<p>Aquela voz era conhecida, e vencendo o cansaço, ele conseguiu levantar a cabeça e perceber que era ela quem estava ali, a sua morena. Gaguejou seu nome e tentou se concentrar para falar, ao menos, uma frase completa.</p>
<p>- É&#8230;É&#8230;Oi, Ca&#8230; Cam&#8230; Camila! O que&#8230; O que você está fazendo por aqui?<br />
- Ué, achei que quisesse me ver&#8230;<br />
- Si&#8230; Sim, mas, mas&#8230; Achei que&#8230; Fôssemos combinar algum dia.<br />
- Hoje não é um bom dia? Então eu vou embora.<br />
- NÃO! Não, eu não quis dizer isso&#8230; Me desculpe, é que estou meio&#8230; &#8230; Cansado, é isso&#8230; Estou cansado.<br />
- Ué, então eu vou embora&#8230; A gente se vê outro dia.<br />
- Não, eu quis dizer que estou cansado e por isso me confundi ao dizer aquela outra coisa.<br />
- Vamos ficar aqui falando ou&#8230;?<br />
- Err&#8230; Me desculpe. A gente pode ir para aquele bar ali no final da rua, lá é calmo, podemos sentar e conversar um pouco.<br />
- Atitude! Assim que é bom.<br />
- Vamos?</p>
<p>E foram. Conversaram por horas, ele finalmente teve coragem de se declarar um pouco para ela, contou sobre as vezes que tentou falar alguma coisa e de como se assustou ao ouviá-la dizendo palavrões na comemoração do gol no Maracanã.</p>
<p>- Ahhh, mas foi só pra extravazar.<br />
- Eu sei, mas é que na minha cabeça, você nem sabia tais palavrões.<br />
- Achava que eu era o que? Uma bonequinha?<br />
- É, acho que sim. Mas agora já consigo te ver como uma pessoa real.<br />
- E gosta do que vê?<br />
- Bastante.<br />
- Bastante o suficiente?<br />
- Suficiente para o que?<br />
- Nada não.<br />
- Não, agora fala&#8230;<br />
- Nada, não é nada. Deixa pra lá. Mas então, sobre o que falávamos?</p>
<p>O tempo foi passando, e os dois nem perceberam, só repararam que já era tarde, quando o dono do bar implorou que eles fossem embora, pois tinha que dormir. E então, eles foram conversando pelas ruas, até o carro dela e ele decidiu que não iria trabalhar no dia seguinte.</p>
<p>- Você tem certeza disso? Não ir ao trabalho? Mas você é sempre tão certinho&#8230;<br />
- Certeza eu não tenho, mas prefiro ficar aqui com você.</p>
<p>Impressionante, longe de seus amigos, ali à sós com ela, toda a vergonha e medo que ele tinha de se expressar começava a desaparecer.</p>
<p>Conversaram por horas, já que ela não trabalhava mesmo, nem se importou com a hora, viram o sol nascer num píer desses, limpinhos que existem em filmes românticos, daqueles onde ninguém aparece para perturbar, onde a lagoa não é poluída e a câmera enquadra os dois e mais o sol nascendo por trás das montanhas. Sim, montanhas, porque em filmes não aparecem favelas nessas horas.</p>
<p>Ela, deitada no colo dele, se mostrava uma mulher muito mais frágil do que normalmente aparentava, nem parecia ser possível que uma mulher daquela soubesse palavrões e/ou vibrasse com jogos de futebol. Estava tudo perfeito, mas&#8230; Eu sei, eu sei, sou um estraga prazeres, mas tenho que colocar um pouco de ação na história.</p>
<p>Distraídos olhando para aquele belo cenário, eles são surpreendidos por um homem que não precisa ter nome e nem descrição, é apenas um coadjuvante que aparece para assaltar o nosso casal, e nessa tentativa de assalto, Felipe é baleado (<em>eu já tinha mencionado que o nome do nosso herói era Felipe?</em>) e o ladrão foge. Assustada, Camila grita por socorro, e alguns velhinhos que passeavam pela ciclovia da lagoa param para ajudá-la.</p>
<p>A caminho do hospital, Felipe segurava bem forte na mão de Camila e juntava todas as suas forças para permanecer consciente. Chegando lá, foi encaminhado direto para cirurgia e os médicos só pediram a Camila que ela rezasse. Rezasse muito.</p>
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		<title>Quem diria&#8230;</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Mar 2007 02:30:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinicius Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Histórias (Sur)Reais]]></category>
		<category><![CDATA[Invenções]]></category>
		<category><![CDATA[Quem Diria?]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p>O jogo era Brasil x Argentina, e o placar estava apertado 5&#215;4 pro Brasil, Maracanã lotado, a torcida brasileira cantando e incentivando o time como se fosse a torcida do Flamengo em final de campeonato (<em>e quem já esteve na torcida do Flamengo, sabe do que eu estou falando</em>), bom, na verdade, grande parte da torcida era Flamenguista, mas isso não vem ao caso&#8230; O importante é, ele odiava futebol, nem mesmo de jogar no videogame ele gostava, mas resolveu ir ao jogo, só para ficar mais perto da menina que ele tanto gostava. Faltava-lhe coragem para se declarar e por isso ele decidiu ir ao jogo, esperava criar coragem no meio daquele tumulto, torcia para ser contagiado por toda aquela emoção que era uma partida de futebol, afinal, era o que todos lhe diziam.</p>
<p>- <em>Rapá, tu tem que ir num jogo, qualquer jogo, para sentir aquela emoção. Mas tem que ser um jogo com uma torcida animada, senão você vai dormir.</em></p>
<p>E nada pode ser mais animado que um jogo do Brasil x Argentina, certo? Bom, ele estava certo mas&#8230;</p>
<p>O 1º tempo acabou e ele não havia conseguido falar nada, nem prestava atenção no jogo, ficava apenas olhando para ela e torcendo para que o Brasil fizesse outro gol, para que ela se animasse e lhe desse outro abraço. O fato dela abraçar todos ao seu redor, não lhe importava, ele considerava o seu abraço como sendo o mais especial de todos.</p>
<p>Começa o segundo tempo&#8230; Ronaldinho toca para Robinho, que dribla dois, três, quatro, recua a bola para Obina (<em>isso é uma história fictícia, ok?</em>) que chuta com toda a sua força, e o goleiro argentino não consegue segurar, a arquibancada explode de tanta alegria, todos comemorando o aumento da vantagem no placar, a sensação é de que tudo aquilo vai desmoronar. Ele respira fundo, olha pra sua amada, abre a boca, estica a mão e&#8230; &#8230; Ela o abraça gritando &#8220;<em>É GOOOOOOOOOOOOOL, PORRA!!!!!!</em>&#8220;.</p>
<p>Nada melhor para quebrar um clima do que um &#8220;<em>porra</em>&#8221; assim, expelido com todo o ar dos pulmões, com toda a raiva que ela sentia da Argentina. Meio sem graça ele pulou e comemorou com ela, e resolveu desistir, estava condenado a nunca conseguir falar nada.</p>
<p>O jogo acabou, os torcedores foram para suas casas, ou para os bares, <em>bebemorar</em> a vitória, e ele, ela e o resto do grupo que foi ver o jogo, resolveram parar em um bar também, afinal aquela era uma situação que merecia ser comemorada com estilo! Ganhar da Argentina era quase como receber a visita do Papa, ou receber a notícia da cura da AIDS. Definitivamente era algo que merecia ser comemorado.</p>
<p>Como sempre, ele tentou ficar o mais próximo possível dela, mas sem conseguir falar direito (<em>óbvio, né? Ele ainda estava chocado com o &#8220;<strong>É GOL, PORRA!</strong>&#8220;</em>), até que por algum acaso do destino, o resto do pessoal se levantou da mesa, uns foram ao banheiro, outros foram brindar com estranhos e sacanear os bravos argentinos, que se arriscaram a ir para aquele bar, mesmo após a derrota.</p>
<p>Ela sorriu para ele, e o seu sorriso brilhava, talvez fosse por causa do aparelho que ela usava no dente, mas pra ele isso não importava, havia algo a mais naquele sorriso, que o tirava do chão e roubava seu fôlego. Mesmo nervoso, tentou sorrir de volta e quando ia falar algo, um amigo seu chegou e a tirou para dançar. Animada com a vitória, e um pouco alterada por causa das cervejas que bebeu, ela foi e ele ficou, ficou meio triste, pra baixo e resolveu que era hora de ir embora.</p>
<p>Deixou um dinheiro em cima da mesa, para ajudar a pagar a conta e começou a caminhar em direção à rua, tentando não ser visto por ninguém. Ele estava quase lá, quando sentiu uma mão puxando seu braço, seu coração quase saiu pela boca, aquilo não podia estar acontecendo, seria mesmo verdade? Será que ela não queria que ele fosse embora?</p>
<p>Devo contar que ele não ficou muito feliz ao se virar e perceber que não era ela, e sim um argentino dizendo que mesmo com aquela derrota, Maradona ainda era melhor que o Pelé. Provavelmente foi o álcool que o fez puxar esse assunto, já que nem Maradona e nem Pelé jogaram naquele dia. Maradona devia estar tirando o pé de sua casa, e o Pelé negociando um fornecimento de Viagra, mas só depois de ter falado com o seu médico.</p>
<p>Enfim&#8230; Ele puxou o braço e se livrou do argentino, continuou andando até o seu carro, onde ela o esperava.</p>
<p>- <em>Onde o senhor pensa que vai?</em><br />
- <em>Errr&#8230; Eu tenho&#8230; Eu&#8230; Eu vou&#8230; Tenho que ir pra casa.</em><br />
- <em>E vai sair sem se despedir de mim?</em><br />
- <em>Bom, é que&#8230; &#8230; Você&#8230; Achei que você estivesse&#8230; Ocupada, você sabe, dançando&#8230;</em><br />
- <em>Estava&#8230; Mas não estou mais.</em></p>
<p>E sem deixar com que ele reagisse, tascou-lhe um beijo na boca, mas daqueles beijos cinematográficos mesmo, de fazer as senhoras de idade fecharem os olhos de vergonha.</p>
<p>Só podia ser sonho, ele não conseguia acreditar que aquilo era verdade, mas aproveitou ao máximo aquele momento. Quando ela resolveu parar e ele ainda estava tentando recuperar o fôlego, ela disse:</p>
<p>- <em>Da próxima vez, fale o que quer falar na hora que sentir vontade, não fique com vergonha.</em><br />
- <em>Mas&#8230; Mas é que&#8230;</em><br />
- <em>Sem mas&#8230; Quando você criar coragem para falar comigo, ganha um outro beijo desses.</em><br />
- <em>Eu&#8230; &#8230; Eu&#8230;</em><br />
- <em>Não, hoje não&#8230; Quando você quiser, sabe onde me achar.</em></p>
<p>E foi embora, sorrindo como sempre. E ele ficou lá, com cara de bobo como sempre.</p>
<p>No dia seguinte&#8230; Bom, no dia seguinte aconteceram outras coisas, mas só vou relatar aqui em outro dia. Até!</p>
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