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	<title>[Spy Inc.] &#187; Vida de José</title>
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		<title>É José, qual vai ser dessa vez?</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Jun 2005 17:40:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinicius Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Vida de José]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma noite tranqüila de sono, mas não muito longa, afinal é um fato incontestável&#8230; Sempre depois de um dia com sua namorada, ou seu namorado, as pessoas ficam pensando em muitas coisas antes de dormir, não necessariamente sobre a outra pessoa, mas as mentes viajam -pelo menos as que têm passaporte-, matutando sobre os mais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma noite tranqüila de sono, mas não muito longa, afinal é um fato incontestável&#8230; Sempre depois de um dia com sua namorada, ou seu namorado, as pessoas ficam pensando em muitas coisas antes de dormir, não necessariamente sobre a outra pessoa, mas as mentes viajam <em>-pelo menos as que têm passaporte-</em>, matutando sobre os mais diversos assuntos <em>-desde de avaliar o que aconteceu no dia, até a criação de um novo nano-dispositivo que pode significar a cura para todos os tipos de câncer-</em>. Uma &#8220;mente apaixonada&#8221; funciona muito bem para todas as outras áreas que não tenham ligação direta com o amor, digo isso porque quando se ama, acaba se fazendo cada burrada&#8230; A sorte é que se a outra pessoa também estiver amando, nem vai perceber aquilo como uma burrada.</p>
<p>José precisava descansar pois já era tarde, e amanhã seria Segunda-Feira, dia de trabalhar <em>-dia de encarar seu cubículo e não reclamar da vida-</em>, dia de trabalhar até a exaustão em uma empresa que mais parecia pertencer ao Conde Drácula, pois só sugava o sangue de seus funcionários. Na verdade, se tratava de uma empresa como outra qualquer, onde todos sempre estavam cansados, mas mesmo assim conseguiam se divertir de alguma forma dentro daquele mini-mundo. Piadas internas <em>-como contadores fazendo piadas com números, piadas que só eles entendem e todas as outras pessoas pensam que eles devem ser pessoas muito solitárias-</em>, judiação dos escraviá&#8230; Digo, <strong>estag</strong>iários, almoços demorados, enfim, um dia normal como em qualquer outra corporação. Isto é, se não fosse por um detalhe. José estava distraído, passara o dia mexendo em elásticos e clips, rabiscando papéis&#8230; Completamente alheio ao mundo que lhe cercava.</p>
<p>Teve sorte. Ninguém percebeu que ele nada fez durante o dia, já que aquela empresa era um emaranhado de cubículos. E José também não era um exemplo de popularidade, apenas fazia o que tinha que ser feito, sem muitas palavras. Quando começou a trabalhar lá, sentia falta dos tempos de faculdade, onde a vida era uma eterna diversão com algumas provas <em>-e colas-</em> ocasionais, não imaginava que a vida poderia ser tão chata ao se &#8220;<strong>trabalhar de verdade</strong>&#8220;. Mas agora ele tinha outras coisas em mente, seu emprego passara a ser apenas o local onde se passa o tempo em que ele não pode falar com Joana. Nunca rezara tanto para o tempo passar rápido, e só para implicar <em>-é claro, lembrem-se que o Universo gosta de perturbar José-</em>, o tempo nunca demorou tanto para passar, o tempo insistia em se arrastar, como uma tartaruga preguiçosa que queria perder uma corrida para uma lesma.</p>
<p>Devido ao trabalho de José, e o de Joana, ficava meio complicado o encontro dos dois durante a semana, e cada dia era uma tortura. José percebeu que sua ânsia para que o dia terminasse logo, só contribuía para que os segundos demorassem 2 horas para passar <em>-cada um-</em>, então resolveu trabalhar. Enquanto isso, Joana aturava, digo, atendia madames exigentes em uma loja de roupas, cada nova cliente era um novo sacrifício. <strong>Menina, eu quero uma blusa.</strong> Pega a roupa no estoque. <strong>Não era essa cor que eu queria.</strong> Pega outra. <strong>Ahhh, mas não gostei do modelo.</strong> Troca o modelo&#8230; <strong>Mas essa ficou pequena.</strong> Pega um número maior. <strong>Não tem outra cor?</strong> Procura outra cor. <strong>Mas eu queria algo mais casual&#8230;</strong> Pega outra roupa. <strong>Ó, já que só tem essa, vou levar assim mesmo, onde estão os sapatos?</strong> Novo ciclo de tortura, pois a Madame sempre pede um número menor do que ela realmente calça, quer outra cor, diz que não é macio, mas acaba pedindo para separar assim mesmo. O mesmo ritual se repete para bolsas, saias, calças, acessórios&#8230; Não importa se o manequim dela é 50, as roupas <strong>TÊM</strong> que ser manequim <u><strong>44</strong></u> <em>-não adianta tentar questionar, é como tentar convencer a Gravidade de que os objetos têm que subir, ao invés de cair, ou um poodle a ficar quieto-</em>, não importa se ela calça 40, os sapatos <strong>TÊM</strong> que ser <u><strong>36</strong></u> <em>-e coitada da atendente que não conseguir fazer o pé da Madame entrar no sapato 36. Nessas horas é muito importante saber quebrar os limites da Física-</em>, pouco importa se a atendente está se arrastando, demonstrando esgotamento físico, Madames são alguns dos seres mais cruéis <em>-e temidos-</em> de todo o Universo <em>-logo acima, na lista de crueldade, estão os caixas bancários, que se deliciam com uma fila cheia de aposentados, mas isso é outro assunto-</em>, e o pior&#8230; Elas sempre têm razão.</p>
<p>Para Joana, os segundos não demoravam apenas duras horas para passar <em>-cada um-</em>, os segundos simplesmente <strong>NÃO</strong> passavam, era como se o tempo tivesse desistido de passar por ali <em>-o que pode ser verdade, já que até mesmo o Tempo tem medo das Madames, e isso se deve ao fato delas tentarem de toda forma derrotá-lo, seja usando cremes, cirurgias e tudo mais-</em>, abandonando Joana e todas as outras atendentes. Permitindo que todas elas sofressem mais e mais nas mãos daquela horda do mal <em>-tá bom, eram apenas três Madames na loja, mas isso é suficiente para destruir um país do tamanho do Japão, por exemplo. A sorte do Japão é que elas preferem Paris-</em>. Imagine um calabouço bem escuro, com escravos acorrentados, sendo obrigados a carregar pedras de um lado para outro, recebendo chicotadas de um carrasco que cisma em rir e berrar enquanto os prisioneiros vão morrendo a cada respiração <em>-na verdade, todos morremos a cada respiração, mas considere que eles morrem mais-</em>, tudo bem que a loja era bem iluminada, e não existiam correntes, mas o sofrimento era semelhante, e Joana implorava que o Universo voltasse a ser cruel só com José, mas era em vão&#8230; <em>-óbvio que ela não implorava por isso, mesmo porque ela nem tinha essa concepção da implicância do Universo com José-</em> Na verdade ela pedia clemência, para que seu sofrimento acabasse, e indiretamente estava redirecionando esse castigo do Universo para José, simplesmente porque o Universo não tinha mais o que fazer, e para ocupar seu tempo, implicava com alguém. Agora seria a vez de José, novamente&#8230;</p>
<p>E de repente, José recebe um e-mail com um arquivo desconhecido anexado&#8230; Apesar das palestras sobre segurança, José resolveu abrir o arquivo <em>-na verdade, o Universo gerou um evento aleatório que fez com que o dedo de José ficasse mais pesado quando o mouse passava por cima do arquivo, abrindo-o, é, eu sei, o Universo é bem sacana-</em>, em menos de cinco minutos, toda a rede da empresa havia sido infectada, e no final do corredor se ouviu uma voz &#8220;<strong>QUEM FOI O #@$%*! ??!</strong>&#8220;.</p>
<p>Corra José&#8230; Corra o mais rápido que você puder!</p>
<p><em>O Autor nunca foi vítima de Madame nenhuma, e sabe muito bem que não se deve aceitar arquivos de estranhos (quando éramos crianças, a gente não aceitava doces, né? Os tempos mudam&#8230;)</em></p>
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		<title>Contarei agora mais sobre o conto</title>
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		<pubDate>Sat, 28 May 2005 18:29:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinicius Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Vida de José]]></category>

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		<description><![CDATA[Depois de jantar e de deixá-la em casa -mesmo com a autorização de Seu Jonas, ainda não era a hora certa para abusar da boa vontade da família e muito menos da sorte-, era hora de ir para casa e sonhar, dormir tranqüilo e pensar no que fazer no dia seguinte. Seria simples assim se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Depois de jantar e de deixá-la em casa <em>-mesmo com a autorização de Seu Jonas, ainda não era a hora certa para abusar da boa vontade da família e muito menos da sorte-</em>, era hora de ir para casa e sonhar, dormir tranqüilo e pensar no que fazer no dia seguinte. Seria simples assim se a vida fosse simples <em>-coisa com que nem a mais simplista das pessoas consegue concordar-</em>, vamos então saber o que realmente aconteceu.</p>
<p>Quando chegaram na casa de Joana, havia um silêncio assustador <em>-vale ressaltar aqui que o silêncio não é apenas a ausência de sons, e sim um definidor(?!) de climas, existem os silêncios amedrontadores, excitantes, constrangedores e vários outros-</em>, as luzes da casa apagadas indicavam que havia algo de errado, afinal o Fantástico nem havia começado.</p>
<p>Por algum motivo <em>-desses motivos que chamam de acaso, ou sexto sentido-</em>, José pensou em Lucas, mas logo abandonou a idéia, afinal Lucas estava preso&#8230; &#8230; &#8230; Não estava? José tremeu com o simples pensamento de encontrar Lucas nervoso querendo se vingar por ter ficado preso <em>-sim, crianças são vingativas-</em> e se preparou para o pior <em>-proteger órgãos vitais é a ordem que o cérebro dá nessas horas-</em>, ativando assim o tão conhecido instinto de sobrevivência.</p>
<p>Caminharam devagar pelo jardim, Joana abriu a porta da frente e encontrou a sala completamente escura, tentou acender a luz mas não conseguiu, caminhando pela sala percebeu que cacos de vidro estavam espalhados pelo chão. &#8220;<strong>Eu tenho uma lanterna no carro</strong>&#8221; disse José, já correndo em direção ao carro e voltando o mais rápido que conseguiu. Ao iluminar a sala com a lanterna, se deparou com um vandalismo sem comparação, as paredes todas rabiscadas, marcas de mãozinhas e tentativas de se escrever &#8220;<u><strong>Lucas</strong></u>&#8221; por todas os cantos da sala e do corredor. Joana chamou por seus pais e no andar de cima, Lucas percebeu que suas próximas vítimas haviam chegado. Seguindo os barulhos que ouviram, Joana e José chegaram até a dispensa da casa, e encontraram Seu Jonas e Dona Ruth trancados.</p>
<p>&#8220;<strong>Isso é coisa daquele moleque!! Ahh quando eu pegá-lo&#8230;</strong>&#8221; dizia Seu Jonas, aliviado por sair daquele quartinho. Quando olhou para as paredes de sua casa e viu toda aquela bagunça, teve vontade de chorar, mas o choro cedeu lugar à raiva e pensou nas 74 maneiras de esganar uma criança mimada <em>-a imaginação das pessoas flui quando se trata de técnicas de tortura, há teorias que explicam isso através de vidas passadas, vividas na Idade Média, é claro-</em>. Procuraram por toda a casa, com a maior cautela possível, José entrou no quarto de Joana e viu todos os bichinhos de pelúcia rasgados, e Lucas chorando sentado na cama, repetindo bem baixinho: &#8220;<strong>Eu só queria brincá com o gatinho.</strong>&#8221; José se aproximou bem devagar e sentou-se ao lado dele, enquanto pensava no que dizer José só ouvia os berros de raiva de Seu Jonas <em>-que estava descobrindo o tamanho do estrago que o capeti&#8230; Ops, digo, pequeno Lucas havia causado na casa-</em>. Vendo Lucas chorar, José percebeu que a culpa de toda aquela situação não era da criança <em>-e muito menos do gato-</em>, e sim dos pais que não deram limites e não souberam ensinar o que se pode e não se pode fazer, ainda mais estando em uma casa que não era sua. Pode parecer papo de psicólogo, e alguns radicais vão dizer que Lucas merece ir para um internato, mas não é bem assim <em>-mesmo porque o internato iria devolver Lucas em menos de 3 dias-</em>, José então pensou em um plano e rezou para que Lucas entendesse. &#8220;<strong>Você vai fingir que está dormindo, Lucas. Até os seus pais chegarem, dessa forma ninguém vai brigar com você, eu prometo.</strong>&#8221; Lucas pode não ter entendido muito bem o objetivo final de José, mas se ele não iria levar bronca, estava tudo certo então.</p>
<p>José desceu até a sala e chamou todo mundo, dizendo que havia encontrado Lucas, mas que ele estava dormindo. Óbvio que estava mentindo, mas a raiva de Seu Jonas não o deixou perceber isso, tratou logo de começar a subir as escadas, mas foi impedido por Dona Ruth <em>-que percebeu que José estava ficando desesperado e achou que era melhor impedir seu marido de esganar Lucas primeiro, para depois tentar entender a situação por completo-</em>, que justificou-se dizendo que era melhor deixar Lucas dormindo do que ter que aturar mais destruição e vandalismo em sua casa <em>-é, eu sei, estranho uma criança de 4 anos conseguir fazer tudo isso, mas ela fez-</em>. Pouco tempo depois, os pais de Lucas chegaram e ficaram assustados com a bagunça <em>-já bem menor do que no início, mas ainda não havia passado tempo suficiente para se arrumar tudo-</em> e perguntaram se Lucas havia feito aquilo tudo <em>-eles conhecem a peste que têm-</em>, mas Dona Ruth disse <em>-antes mesmo que Seu Jonas completasse sua primeira sílaba</em> que fora Lucas sim, mas que estavam todos brincando então não havia problema algum, e que Lucas estava dormindo no quarto de Joana. Lucas fingiu estar dormindo por mais tempo do que aguentava e acabou dormindo de verdade, sendo carregado no colo por seu pai, sua expressão era de um anjo <em>-acordado ele era um Anjo Caído, mas dormindo transmitia uma serenidade sem igual-</em>, e enquanto passava pela porta, abriu um pouco os olhos e sorriu para José, um sorriso que na verdade era um agradecimento silencioso por José ter salvo sua pele.</p>
<p>Joana percebeu, mas só mais tarde entendeu, quando José explicou o que havia acontecido. É, José subira no conceito de seu amor&#8230;</p>
<p><em>O Autor gosta de fazer bagunça de vez em quando, e confessa fingir que está dormindo para não levar bronca também</em></p>
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		<title>Contar mais um ponto do conto?</title>
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		<pubDate>Sat, 21 May 2005 21:08:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinicius Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Vida de José]]></category>

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		<description><![CDATA[Pipoca -reza a lenda que cinema sem pipoca é como um chafariz desligado, só tem a forma, mas não a função básica-, chocolate -sim, chocolate também é essencial-, refrigerante -afinal, depois você vai ficar com sede-. O filme já havia começado, Joana olhava toda hora para trás e via seu amor tão longe. José estava [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pipoca <em>-reza a lenda que cinema sem pipoca é como um chafariz desligado, só tem a forma, mas não a função básica-</em>, chocolate <em>-sim, chocolate também é essencial-</em>, refrigerante <em>-afinal, depois você vai ficar com sede-</em>. O filme já havia começado, Joana olhava toda hora para trás e via seu amor tão longe. José estava inquieto, não conseguia prestar atenção no filme e nem ligava para as crianças fazendo bagunça nas cadeiras à frente da sua, muito menos para a senhora ao seu lado que comentava cada frase do filme, ou para o jovem que mascava chiclete com a boca aberta fazendo aquele barulho agradabilíssimo. José pensava e pensava, até que chegou a uma solução&#8230; E quando Joana olhou para trás novamente não o viu, começou a ficar preocupada, mas logo sentiu uma mão segurando a sua, Joana <em>-que estava sentada na fila do corredor-</em> se virou e viu que era José, sentado no chão e olhando para ela com uma expressão de felicidade, não importava se o chão estava sujo, ou se ele havia sentado em algum <em>-ou vários-</em> chiclete. Ficar ao lado de sua amada era o que importava. E coitado do lanterninha que tentasse tirá-lo dali, era mais fácil esvaziar o cinema inteiro do que afastá-lo novamente de Joana.</p>
<p>Se perguntarem, ele nem vai saber contar alguma parte do filme, esqueceu da vida, acariciando a mão de Joana <em>-que também se distraiu, perdida nos carinhos que recebia-</em>. E quando o filme acabou, ambos elogiaram o filme <em>-e nem perceberam que todas as outras pessoas odiaram a película-</em>, pois para eles o filme mesmo era o amor de um pelo outro. É bem verdade que em namoros, especialmente no início, muitos ingressos de cinema são comprados, mas poucos filmes são vistos, casais apaixonados se comportam assim. Não importa o lugar, o que importa é ter a pessoa de quem se gosta ao lado. Cinemas, teatros, parques, ruas <em>-e em um futuro talvez não muito distante, viagens interplanetárias-</em>, tudo se torna secundário <em>-terciário ou até quartenário-</em> estando com a pessoa amada.</p>
<p>Depois do cinema <em>-uma ida ao banheiro para tentar remover os chicletes que haviam se fixado na calça de José, sem muito sucesso, é claro-</em> e de um passeio pelas lojas <em>-onde José, sendo um pouco esperto, prestou atenção nas preferências de Joana-</em>, foram jantar. É bom lembrar que sempre se deve perguntar à mulher onde ela deseja jantar, caso ela diga que tanto faz <em>-ou qualquer variação dessa expressão de indecisão-</em>, somente então você deve tomar a iniciativa mas, é sempre bom também, saber pelo menos o tipo de comida que ela gosta <em>-no nosso caso, José está frito, ou vocês se esqueceram do almoço familiar?-</em> para não ter que passar pelo constrangimento dela não gostar da sua escolha.</p>
<p>&#8220;<strong>Que tal um restaurante vegetariano?</strong>&#8221; Arriscou José, nervoso e já sentindo o gosto do brócolis novamente em sua boca. &#8220;<strong>Ah não&#8230; Eu já sou obrigada a comer essas porcarias em casa, quero qualquer coisa que não seja verde ou natural</strong>&#8221; Disse Joana, para a surpresa de José <em>-que começou a ouvir um coral de anjos e viu uma luz celestial iluminando sua amada-</em> que teve vontade de suspendê-la no ar, rodopiar com ela em seus braços e agradecer aos céus por esta revelação. Por pouco não berrou para que todo o Shopping ouvisse o quanto ele a amava, mas se recompôs e apenas sorriu, berrando de felicidade por dentro, não seria mais um escravo dos vegetais.</p>
<p>Enquanto isso, Lucas estava disposto a ensinar uma lição a todos naquela casa: <strong>Ninguém coloca Lucas Figueira Santos de castigo</strong>, mesmo que ele não soubesse que esse era o seu nome completo, a lição seria ensinada, por bem ou por&#8230; &#8230; &#8230; Na verdade, ele ensinaria da pior forma possível mesmo.</p>
<p><em>O Autor confessa que é carnívoro, mas não tem nada contra vegetarianos, só contra brócolis e/ou outros alimentos verdes/naturais</em></p>
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		<title>Conto mais sim&#8230;</title>
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		<pubDate>Tue, 17 May 2005 00:14:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinicius Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Vida de José]]></category>

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		<description><![CDATA[E o jogo prosseguiu, o primeiro tempo foi um massacre total, o time do Flamengo dava dribles, firulas &#8230; Era um verdadeiro espetáculo, só que para José era um espetáculo de horror, é bom explicar que se fosse em qualquer outra situação ele estaria dando pulos e mais pulos de alegria, mas por Joana, ele [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>E o jogo prosseguiu, o primeiro tempo foi um massacre total, o time do Flamengo dava dribles, firulas &#8230; Era um verdadeiro espetáculo, só que para José era um espetáculo de horror, é bom explicar que se fosse em qualquer outra situação ele estaria dando pulos e mais pulos de alegria, mas por Joana, ele é capaz de sacrificar até mesmo sua paixão pelo Flamengo <em>-e trocar futebol por mulher é algo inadmissível para a maioria esmagadora dos homens, ainda mais sendo Flamenguista-</em>.</p>
<p>Tudo bem que o Universo gostava de vê-lo sofrer, mas aquilo já era demais. Creio que todos vocês querem que José seja aceito pela família e que o humor de Seu Jonas melhore, certo? Então eu vou interceder em favor de José e tirar um pouco do humor sádico deste Universo sarcástico. E começa o segundo tempo, José já havia perdido suas esperanças, o comentarista fazia questão de deixar bem claro que era impossível o Vasco se reerguer, afinal eram 7 gols de diferença. Mas como em qualquer história, quando o herói está encurralado, tudo começa a dar certo <em>-se fosse um filme de kung-fu, esta seria a hora em que ele derrotaria todos seus inimigos com apenas um chute e resgataria a assustada e indefesa filha de seu Mestre-</em> e o Vasco começou a marcar um gol atrás do outro, parecia que alguma força estava segurando os jogadores do Flamengo, que tropeçavam sozinhos, não conseguiam correr direito, perdiam as chuteiras&#8230; José foi ficando mais aliviado, a cada berro de <strong>GOL</strong> que Seu Jonas dava e começou a agradecer por suas preces terem sido atendidas.</p>
<p>&#8220;<strong>QUEM É VICE AGORA, HEIN?! ME DIZ!! ME DIZ!</strong>&#8221; berrava Seu Jonas olhando para a TV, observando os jogadores do Vasco dando a volta olímpica segurando o troféu, a felicidade era tanta que ele até esqueceu de Lucas <em>-que havia conseguido destrancar a porta e fugido para o quintal em busca do gatinho, afinal ele tinha que terminar o serviço-</em>, e quando Joana aproveitou a oportunidade para dizer que iria dar um passeio com José, Seu Jonas disse &#8220;<strong>Claro filhinha, e se for dormir fora de casa avise.</strong>&#8221; assustando a todos, principalmente Joana, que resolveu nem questionar já que não queria estragar aquele momento de felicidade do pai.</p>
<p>Assim como José e Joana, centenas de outros casais também decidem ir passear em algum Shopping Center, afinal nos dias de hoje é a diversão menos perigosa nos centros urbanos e assim como os casais, os pais levam seus filhos <em>-muitos destes poderiam se unir a Lucas e formar um novo exército do mal-</em>, ou seja, não é um lugar tão tranqüilo assim. Uma sessão de cinema, pipoca, chocolate, tudo financiado por José como manda a tradição <em>-e nessas horas, poucas são as mulheres que lutam por direitos iguais-</em>.</p>
<p>Se Joana fosse uma mulher qualquer, seria um roteiro simples: <em><strong>cinema</strong> -&gt; <strong>jantar</strong> -&gt; <strong>motel</strong></em>. Mas mulheres quaisquer servem somente para qualquer homem que não seja um José, e como José é o mais José dos Josés, Joana também não é aquela da casa da mãe com o mesmo nome. Mulheres de verdade, como Joana, gostam de receber carícias durante o filme, eventualmente um beijo, mas acima de tudo gostam de ser respeitadas, ainda mais nesta história onde José vai aprender que as mulheres são Deusas e devem ser tratadas como tal.</p>
<p>Para agir, tomar qualquer atitude, é essencial prestar atenção nos sinais e interpretá-los corretamente, qualquer deslize pode significar o fim do relacionamento, e é com esse medo constante que homens como José convivem. Truques como se espreguiçar para abraçá-la são completamente dispensáveis. Antes de tudo é preciso escolher um bom filme <em>-isso varia de acordo com o gosto <strong>DELA</strong>-</em>, se quiser ver um filme idiota que só você goste, espere ele sair nas locadoras e veja sozinho em casa <em>-somente assim você vai poder rir de piadas idiotas sem ser considerado um-</em>, não tente acariciá-la sem que ela tenha lhe dado permissão, ainda mais em locais como as pernas. Jamais fale mal do mocinho da história, ou conte o final do filme. Guerras de pipoca eram engraçadas na 5ª série, agora não são mais. Preste atenção no filme o suficiente para saber a história, mas preste muito mais atenção <strong>nela</strong>, afinal ela é muito mais interessante do que o filme.</p>
<p>José sabia todas essas regras, havia se preparado bem para esta situação e acreditava estar pronto para qualquer imprevisto, mas infelizmente ele não contava com um engarrafamento de trinta minutos, o que fez com que os ingressos estivessem quase esgotados quando ele chegou para comprá-los. A fila já era grande, e quando conseguiram entrar no cinema&#8230; &#8230; <em>-tchan tchan tchan tchan-</em> &#8230; &#8230; Não havia nenhum lugar onde os dois pudessem sentar juntos. A expressão de decepção no rosto de ambos era nítida, mas ninguém se comoveu e cedeu lugar para que eles pudessem sentar juntos, afinal ninguém poderia imaginar como aquele momento era importante para José.</p>
<p>2 horas e meia afastado de seu amor&#8230; Fora obrigado a sentar trás fileiras atrás dela, porém nada mais importava. José não queria saber do filme, chocolate ou pipoca, não conseguia entender que destino cruel era aquele, de não poder fazer carinhos em sua amada, e nem protegê-la caso ficasse com medo em alguma parte do filme <em>-era mais fácil José ficar com medo, mas isso não vem ao caso-</em>, precisava achar alguma maneira de contornar aquela situação, mas como?</p>
<p><em>O Autor só gosta de ir ao cinema acompanhado, e assim que isso for possível, garante que o filme vai se tornar apenas um coadjuvante</em></p>
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		<title>Continuo contando o conto&#8230;</title>
		<link>http://www.viniciuscosta.org/blog/2005/05/10/continuo-contando-o-conto/</link>
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		<pubDate>Wed, 11 May 2005 01:10:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinicius Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Vida de José]]></category>

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		<description><![CDATA[*KABOOOOM* *MEOOOWW* E é assim que um mini-terrorista descobre o poder de 47 bombinhas juntas -as outras 3 do pacote ele escondeu em um lugar que Joana não vai gostar de descobrir- e assim que José é salvo do interrogatório. &#8220;Esse moleque aprontou de novo!!!&#8220; &#8211; disse o pai de Joana, já nervoso e disposto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>*KABOOOOM* *MEOOOWW*</em></strong></p>
<p>E é assim que um mini-terrorista descobre o poder de 47 bombinhas juntas <em>-as outras 3 do pacote ele escondeu em um lugar que Joana não vai gostar de descobrir-</em> e assim que José é salvo do interrogatório.</p>
<p><em>&#8220;<strong>Esse moleque aprontou de novo!!!</strong>&#8220;</em> &#8211; disse o pai de Joana, já nervoso e disposto a colocar um fim naquele reinado bizarro. Quando chegaram no quintal, encontraram Lucas rindo em um canto, enquanto o pobre bichano agonizava tentando fugir de volta para sua casa.</p>
<p><strong>[Nova pausa no filme]</strong></p>
<p><em>Seria o momento ideal para fazer uma propaganda das <a href="http://www.fabricadequadrinhos.com.br">Avaianas de Pau</a>, mas Lucas não merece tanto sofrimento assim, hehehehe -pelo menos não por enquanto-, voltemos à história.</em></p>
<p><strong>[<em>AÇÃO!</em>]</strong></p>
<p>José achou que aquela era a melhor situação para escapar de uma tarde inteira naquela casa que <em>-graças ao Peste Lucas-</em> mais parecia um campo minado em algum território africano.</p>
<p>O choro agonizante do pequeno felino ainda podia ser ouvido de longe enquanto a voz grossa do pai de Joana começava a assustar o pequeno <em>-porém temível-</em> Lucas que começara a demonstrar sinais de que iria chorar, olhando para a única pessoa que poderia salvá-lo daquele massacre, Dona Ruth <em>-AHA! Finalmente é revelado o nome da mãe de Joana-</em>, mas sem pensar duas vezes Seu Jonas <em>-O QUE??!! O pai de Joana também tem nome?-</em> pegou Lucas pelo braço, impedindo que o capetinha usasse seus truques mais sujos e sórdidos para amolecer o coração de sua esposa.</p>
<p>&#8220;<strong>Você vai passar o resto do dia trancado dentro do banheiro, até que seus malditos pais cheguem e nos livrem de sua presença perturbadora!</strong>&#8221; foi o que toda vizinhança ouviu, Lucas, por sua vez, não compreendeu muito bem as palavras, mas entendeu perfeitamente o tom de Seu Jonas <em>-era o mesmo tom que todas as babás que ele já teve, usaram logo no primeiro dia de trabalho-</em> e sabia que havia ultrapassado algum limite.</p>
<p>Aquele deixara de ser o momento ideal para fugir, havia muita tensão no ar e qualquer deslize poderia redirecionar a raiva que Seu Jonas sentia para José, o jeito era esperar a poeira assentar, Lucas ser trancado e sua jaula e Seu Jonas se acalmar&#8230; Só esperar essas coisas acontecerem. Pobre José, que estava contando com a boa vontade do Universo, enquanto este ria ao observar o desespero de José.</p>
<p>&#8220;<strong>Só falta agora o Vasco perder na final de novo, para terminar de estragar o meu dia!</strong>&#8221; resmungou Seu Jonas ao voltar para a sala, já sem a presença do terrori&#8230; <em><strong>*AHAM HAM*</strong></em> digo&#8230; infante Lucas, e José começou a se desesperar de vez. Domingo, final de campeonato, Flamengo e Vasco, e José <em>-que era flamenguista-</em> dependia da vitória do Vasco para salvar o seu futuro amoroso e ser aprovado pelo sogrão. As chances do Vasco ser vice novamente, eram enormes, perdendo para o Flamengo então, maiores ainda <em>-naquelas condições, até se fosse para o 14º de Araçatuba, o Vasco perderia na final, afinal o Universo estava se divertindo fazendo José sofrer-</em>, José estava perdido.</p>
<p>[<strong>*Priiiiiiiii* E começa a partida... Mas o que é isso? Eu não consigo acreditar! Senhoras e senhores, o que é isso? O Flamengo acaba de marcar um gol, logo na saída da bola, o jogador chutou direto para o gol e o goleiro não segurou! Isso é impressionante!!</strong>]</p>
<p>Certas horas, você deseja que não tivessem inventado a televisão e nem o rádio, e muito menos os comentaristas de jogos de futebol. José se enterrou no sofá e não soltou um pio, enquanto Seu Jonas ficava ainda mais nervoso. É José, a coisa está se complicando cada vez mais&#8230;</p>
<p><em>O Autor jura que nunca maltratou gatos e que não gosta de futebol, e ainda que é contra qualquer tipo de violência infantil, principalmente se a criança for a praticante da violência&#8230;</em></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Esse conto não acaba?</title>
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		<pubDate>Sat, 30 Apr 2005 18:34:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinicius Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Vida de José]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Viram como ele é educado?&#8221; &#8211; falou a mãe de Joana, lá da cozinha. Lucas veio caminhando até José, ele aparentava ter uns 4 anos, ainda usava fraldas, uma chupeta amarrada em um trapo amarrado no braço -que mais tarde José descobriu ser o paninho da sorte dele, e a chupeta da força- descalço, uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>&#8220;Viram como ele é educado?&#8221;</em> &#8211; falou a mãe de Joana, lá da cozinha. Lucas veio caminhando até José, ele aparentava ter uns 4 anos, ainda usava fraldas, uma chupeta amarrada em um trapo amarrado no braço -<em>que mais tarde José descobriu ser o paninho da sorte dele, e a chupeta da força</em>- descalço, uma bermuda q terminava abaixo do joelho e uma camisa com os dizeres &#8220;<em>Born to kill and bring <strong>caos</strong> to the world</em>&#8221; (na verdade era uma camisa do Pokémon, mas a imaginação de José estava voando baixo). Ele se posicionou de frente para José e berrou &#8220;<em><strong>ZUIIIIINNN POOOOWW!!</strong> Você tá môto</em>&#8220;, mas quem disse que José entendeu a brincadeira? Lucas já estava começando a demonstrar expressões faciais (que indicavam a ira infantil crescendo), quando Joana sussurrou para José que ele tinha que se fingir de morto. Sem pensar nem meia vez, José fechou os olhos e largou os braços, Lucas havia abatido mais um inimigo e se virou para voltar ao quarto de Joana.</p>
<p>José abriu apenas um olho e perguntou para Joana se ele já podia voltar ao normal, mas falou um pouco alto demais e Lucas ouviu, rapidamente se virou para José e berrou (ainda mais alto) &#8220;<em><strong>MÔTO!!!</strong></em>&#8220;, no susto José rapidamente fechou os olhos e ainda escorregou um pouco no sofá (um pouco de realismo para agradar a criança, né?). Joana, meio sem jeito disse: &#8220;<em>Só quando ele resolver te ressuscitar</em>&#8220;, e assim José percebeu que de namorado de Joana, passara a ser escravo de Lucas e estava sujeito a todas as ordens daquele pequeno imperador.</p>
<p>O pai de Joana (AHA! Acharam que ele havia sido abduzido por alienígenas, não?) assistia a tudo quieto, obviamente sofrendo por ter que conviver com aquela criatura. Ele estendeu a mão para José e disse <em>&#8220;Pode se levantar, eu te garanto.&#8221;</em>, prontamente José segurou na mão dele e se levantou, afinal discordar da figura patriarcal seria carimbar seu passaporte para fora daquela casa. Lucas ouviu novamente o barulho e se virou, já com os pulmões cheios de ar para berrar ainda mais forte do que a primeira vez, mas quando viu quem estava &#8220;<u>ressuscitando</u>&#8221; sua vítima parou e engoliu o grito, abaixou a cabeça e continuou seu caminho até o quarto de Joana.</p>
<p>Curiosamente, o pai de Joana era o único que ainda tinha alguma <em>-para não dizer toda-</em> autoridade sobre o pequeno capeta, e José sabia que este era seu único trunfo para sobreviver naquele dia.</p>
<p><em>&#8220;Venham, venham. O almoço está servido!&#8221;</em> &#8211; disse a mãe de Joana, convocando a todos para o teste, digo, almoço. Aqui vou mudar um pouco o esquema da narrativa, enquanto eu digo como é o ritual de se almoçar pela primeira vez na casa da namorada, vocês podem imaginar as pessoas se sentando à mesa, e o almoço sendo servido, certo?</p>
<p>Na verdade o primeiro almoço na casa de uma namorada é um dos piores testes que pode existir, afinal você deve esquecer tudo o que você normalmente faz quando almoça na sua própria casa, e se lembrar de tudo que a sua mãe gostaria que você fizesse. Mesmo que ninguém esteja olhando para você, você sempre vai se sentir como se estivesse sendo avaliado, e o nervosismo vai aumentando cada vez mais, e a pior coisa que pode acontecer é quando os pratos são servidos e&#8230; <strong>[A mãe de Joana coloca na mesa os pratos... Brócolis à milanesa, salada de tomate, rúcula e uma receita familiar... torta de quiabo]</strong>&#8230; Você não come nada daquilo.</p>
<p>A primeira reação <em>-se você estivesse em sua casa-</em> é cara de nojo. Esta deve ser evitada <strong>AO MÁXIMO</strong>, afinal desagradar a cozinheira <em>-especialmente se ela for a sua sogra-</em> é garantia de piadinhas <em>-alfinetadas-</em> pelo resto de sua vida, do tipo: <em>&#8220;Não, fulano não gosta das minhas comidas, não sou uma boa sogra para ele.&#8221;</em> Se você não gosta da comida, o problema é seu! Vai ter que comer de qualquer jeito, e nada de comer bem pouco só para agradar, você tem que mostrar que gostou, tem que saborear, e se ela oferecer mais <em>-é, assim como o universo, as sogras são cruéis a tal ponto-</em> você tem que aceitar e falar <em>&#8220;Só mais um pouquinho pois está muito delicioso!&#8221;</em>, engolir o choro é uma técnica que você <strong>DEVE</strong> dominar para essas situações.</p>
<p>Reze pela sobremesa <em>-pelo menos um Pai-Nosso e uma Ave-Maria, se possuir um Terço é aconselhável rezar o Credo, milagres são extremamente bem-vindos nessas horas-</em>, afinal como dizem &#8220;<strong>Depois da tortura, vem o alívio</strong>&#8221; mas isso não é garantido, e do jeito que o universo é irônico <em>-aqui, nessa história, ele é particularmente perverso-</em>, sua sobremesa será alguma torta contendo uma substância a qual você é alérgico, ou que possui algum trauma de infância <em>-Se lembra quando seus primos da fazenda te mergulharam num tonel cheio de maçãs podres?-</em>.</p>
<p>O curioso disso tudo é que enquanto você sofre&#8230; algumas pessoas se saem muito bem, mas voltemos à história para que isso seja melhor entendido.</p>
<p>Enquanto José preparava suas papilas gustativas para ignorar o sabor daquele festival do <em>greenpeace</em>, ele olhou para o lado e viu Lucas sentado em sua mesinha particular, recebendo um suculento bife à parmegiana, com batatas fritas <em>-bifes nunca pareceram ser tão deliciosos aos olhos de José como naquele instante-</em>. <em>&#8220;<strong>OH DEUS!! POR QUE ME ABANDONASTES?!</strong>&#8220;</em> &#8211; berrava a mente de José, enquanto olhava seu prato cheio de mato, e por alguns minutos ele desejou ser um cavalo ou um boi, para poder comer aquilo sem ter que sofrer tanto. Pensou em seu amor por Joana, e decidiu que faria aquele sacrifício por ela, olhou para o prato, sorriu para a mãe dela, respirou fundo, olhou uma última vez para o prato de Lucas <em>-e sua alma chorou, desejando ser crianças novamente para saborear aquele bife com fritas-</em>, respirou fundo mais uma vez, enfiou o garfo no brócolis como se estivesse caçando alimento na época das cavernas e levou a comida até a boca, mastigou de olhos fechados e com a respiração presa <em>-para ele era uma técnica para aliviar o sofrimento, mas para quem estivesse olhando parecia que ele estava saboreando a refeição-</em>, engoliu! Pronto, menos uma garfada para o fim. Abriu os olhos e viu que o seu prato ainda estava cheio (afinal, o que é uma garfadinha, né?) e teve vontade de chorar.</p>
<p><em>&#8220;Homem não chora!&#8221;</em> ainda mais se estiver tentando impressionar alguém. As lições de sofrimento impostas por seu pai e pelas crianças cruéis da rua, quando ele era pequeno, fizeram José ter o estômago forte o suficiente para superar aquele desafio.</p>
<p>O almoço acabou, José havia comido mais brócolis naquele dia do quem toda a sua vida, e ainda fora obrigado a provar uma torta de ricota <em>-que segundo a mãe de Joana, era <strong>D</strong>-<strong>E</strong>-<strong>L</strong>-<strong>I</strong>-<strong>C</strong>-<strong>I</strong>-<strong>O</strong>-<strong>S</strong>-<strong>A</strong>-</em>. Para sua sorte, não tinha sobremesa, a mãe de Joana se desculpou e disse que a torta surpresa <em>-surpresa desagradável, com certeza, mas ainda assim uma surpresa-</em> havia queimado no forno. Era chegada a hora de voltar à sala para o início do interrogatório.</p>
<p><em><br />
- Quem são seus pais?<br />
- Você trabalha?<br />
- Estuda?<br />
- Quantos anos tem?<br />
- Onde mora?<br />
- Já repetiu alguma vez na escola?<br />
- Usa algum tipo de droga?<br />
- Bebe?<br />
- Fuma?<br />
- Com quantos anos pretende se casar?<br />
- Primeiro bem a ser adquirido&#8230; Casa ou carro?<br />
- Tem irmãos?<br />
- Algum filho?<br />
- Para que time torce?<br />
&#8230;<br />
</em></p>
<p>As perguntas sempre vêm uma atrás da outra, mal dando tempo para José respirar e pensar em alguma coisa. Ele olha para Joana, suplicando para que ela o salve, mas sua súplica não será atendida. Esse é mais um ritual do qual é impossível se fugir quando se conhece os pais de sua namorada. Pelo menos Lucas está distraído amarrando bombinhas na cauda do gato da vizinha&#8230;</p>
<p><em>O Autor confessa que não gosta de legumes, nem verduras e nem de crianças mandonas&#8230; com ele, essas três coisas se resolvem na base da violência</em></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Conto Continua&#8230;</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Apr 2005 23:53:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinicius Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Vida de José]]></category>

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		<description><![CDATA[ESPERE! *Som de carro freiando e cantando pneu* Uma história como essa não pode terminar assim, com um simples final imaginário. Essa não é uma &#8216;simples história&#8216; (sei que é pretensão demais chamar isso de história, mas&#8230;), mas o mundo cisma em tratá-la como tal. Por que digo isso? Porque essa é a sua história [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>ESPERE!</p>
<p>*<em>Som de carro freiando e cantando pneu</em>*</p>
<p>Uma história como essa não pode terminar assim, com um simples final imaginário. Essa não é uma &#8216;<em>simples história</em>&#8216; (sei que é pretensão demais chamar isso de história, mas&#8230;), mas o mundo cisma em tratá-la como tal. Por que digo isso? Porque essa é a sua história (não, não estou prevendo o futuro ou usando sua imagem sem lhe pagar os direitos), é uma história que acontece todos os dias, com todas as pessoas, ou pelo menos poderia ser. A única coisa que essa história não tem, é efeito especial (ficamos sem dinheiro devido a fome insaciável do nosso escritor), mas em compensação ela tem muita imaginação (isso fica por conta de vocês, leitores) e tem também dois personagens principais fenomenais! Mas para essa história não ficar meio restrita a você e seu encontro com a pessoa especial, vamos trocar os nomes&#8230; Você passa a se chamar, hummm, vejamos&#8230; João? Muito comum&#8230; Epitáfio? Com esse nome, vai ser difícil achar alguém especial&#8230; Precisamos de um nome único.</p>
<p><strong>José</strong> (não aquele do poema &#8220;E agora José?&#8221; -<em>não sei se o título é esse, mas é assim que o conheço</em>- esse é outro José, Você é José a partir de agora) e <strong>Joana</strong> (não me pergunte por que Joana, é mais um daqueles nomes que aparecem na nossa mente e não sabemos de onde veio) serão seus nomes agora, e como todo casal, viverão situações que aparentemente são comuns para todos, mas quando vistas sob uma outra perspectiva&#8230; &#8230; Talvez continuem sendo comuns.</p>
<p>Começando pelo dia de ir na casa dos pais da nova namorada.</p>
<p>José acorda cedo no dia, pisa na cauda do gato que dormia ao lado de sua cama e cai de cara no chão, perdendo dois dentes por causa da pancada e aí&#8230; opa opa, isso aqui não é uma comédia espalhafatosa desse jeito, pode esquecer esse parágrafo.</p>
<p><em><strong>[Rebobinando a fita]</strong></em><br />
<em><strong>[Silêncio no estúdio! Gravando!]</strong></em></p>
<p>José se levanta, um pouco tarde como faz todo sábado, e até seu cérebro raciocinar que aquele não é mais um sábado qualquer, que aquele é O sábado, o dia em que ele entrará em um novo mundo, o complicado mundo da casa do sogro e da -<em>argh</em>- sogra, até tal fato acontecer, ele continua rolando na cama antes de se levantar, lembrando dos sonhos e tomando coragem para ir até o banheiro, pensa o porque de ainda não terem inventado uma máquina que teletransporta o excesso de impurezas líquidas e amônia (o famoso <em>pipi</em>) até o Sr. Privada sem que seja necessário caminhar até lá -<em>essas preocupações que apenas os mortais têm, mas que não confessam para ninguém, pois a preguiça é um pecado mortal (ou seria capital?)</em>-, fecha os olhos, tenta dormir mais um pouco e então se lembra do seu compromisso. São onze horas da manhã, todos sabem que quando se visita a casa de alguém, o almoço só vai ficar pronto lá por volta de uma hora da tarde, mas é sempre de bom gosto chegar antes do meio dia na casa dos anfitriões, ainda mais se você estiver tentando passar uma boa imagem (um rapaz direito, digno de honrar um casamento, jamais chega atrasado, nem se sua própria mãe falecer).</p>
<p>O atraso é inevitável, considerando que ele mora perto porém longe (já explico isso) da casa de Joana. Aqui gostaria de explicar mais uma &#8216;<em>ironia gargalhante do universo</em>&#8216; (gargalhante, pois quem criou essas situações deve se divertir muito com isso), nada na vida é perfeito, certo? Por mais que tudo pareça estar em ordem, precisa haver algum caos para tudo fazer sentido (compreendeu? Nem eu). O fato é que José mora perto, porém para chegar na casa de Joana (de carro, é óbvio, pois faz muito sol neste sábado e ele não pode chegar todo suado para conhecer seus pais) ele precisa dar uma volta imensa, devido ao esquema de trânsito da cidade -<em>que nunca favorece os protagonistas desse tipo de história</em>- e por isso que ele está perto porém longe, e com certeza chegará atrasado.</p>
<p>Dez minutos é um atraso aceitável, mas para pais exigentes, já é um <strong>ponto a menos</strong> para o namorado de sua filha -<em>nota mental para explicar o <u>sistema</u> <u>de</u> <u>pontuação</u> <u>familiar</u> mais tarde</em>- mas ele tenta não se importar, e entra na casa pedindo licença (como sua mãe lhe ensinou), Joana segurando sua mão, o conduz até o centro da sala onde ele vê os pais dela e repara em alguns brinquedos espalhados pelo sofá -<em>pânico</em>-, José começa a ficar preocupado, se os pais dela não forem pais &#8216;normais&#8217; (desses que não gostam de brincar como crianças, e se comportam como adultos adultos mesmo), isso significa que há criança (ou pior&#8230; criançaS) na casa, e para o cérebro de José isso significa atenção redobrada, rapidamente analisa se os brinquedos são de meninos ou meninas&#8230; Um boneco sem cabeça, carrinhos sem roda, uma chave de fenda, um urso com a barriga estourada e com um olho faltando, uma espada de plástico&#8230; Bom, se não for um menino destruidor, é a menina mais endiabrada de todo o mundo. De ambas as formas isso é ruim, e os neurônios de José começam a relembrar informações adquiridas em programas de televisão, experiências passadas e tudo mais que houver em seu Banco de Dados sobre crianças. Crianças são sensíveis, crianças se irritam fácil, crianças quando não gostam, odeiam&#8230; E o pior&#8230; Crianças choram. Rapidamente José relembra todos os cuidados a se tomar, nunca tratar uma criança como se ela tivesse a idade que realmente tem, pois isso sempre as irritam, se fosse uma criança calma, bastava tratar como um bebê, mas vendo os brinquedos destruídos, José teve a certeza de que deveria tratar aquele infante como um Gladiador de Roma.</p>
<p><em>&#8220;Bom dia, bom dia. Desculpe o atraso.&#8221;</em> &#8211; disse José para seus avaliadores, digo, para os pais de Joana. <em>&#8220;Que bom que você chegou! O Lucas estava morrendo de curiosidade em saber quem era você. Ele morre de ciúmes da Joana&#8221;</em> &#8211; retrucou a mãe de Joana, com um sorriso muito acolhedor em sua face já marcada pela idade. José logo guardou a informação de que Lucas era o nome da peste, digo, da criança que estava na casa (em algum lugar ainda não revelado), e sorriu em retorno, olhando para Joana com uma cara de indagação já que ela não havia comentado nada sobre crianças. Percebendo isso, Joana disse que Lucas era seu priminho que estava passando o final de semana com eles, enquanto os pais faziam uma viagem para fora do Brasil.</p>
<p>Aqui vale ressaltar um detalhe&#8230; Se os pais não levam o filho pequeno para a viagem é porque o pentelho, digo, filho édigamos assim, uma criança difícil de se lidar, e eles estão querendo se livrar da prole por algum tempo, para tentar recuperar a <u>sanidade</u> perdida devido aos meses de convivência com aquele pequeno ser que mais parece ser filho da <strong>Rosemary</strong> (não pela feiúra, mas pelo espírito destruidor). Coitado de quem fica responsável por domar, digo, cuidar da prole alheia. Agora voltemos à história&#8230;</p>
<p>José olhava de um lado para outro, procurando a criança, com medo de pisar nela por acidente, não digo esmagá-la como um elefante faz com uma formiga, mas pisar no pé, ou em algum brinquedo que por mais insignificante que fosse para a criança, bastaria alguém estragar para ser o motivo de choro por ter sido o brinquedo favorito dela -<em>coisa que havia acontecido segundos antes do encontro brinquedo x pé</em>-, afinal crianças adoram chorar para se tornarem o centro das atenções. José queria garantir que isso jamais acontecesse, especialmente naquele dia.</p>
<p><em>&#8220;Ele é um amorzinho de criança, tão curioso! Gosta de saber como tudo funciona.&#8221;</em> &#8211; disse a mãe de Joana enquanto caminhava para a cozinha. Ela disse isso, mas José ouviu da seguinte forma: <em>&#8220;Ele é uma peste, gosta de destruir tudo que vê pela frente.&#8221;</em> Quando a informação estava sendo processada, José ouviu algum barulho vindo do corredor, e se preparou para o pior&#8230; Lucas estava vindo, era como um Tiranossauro Rex caminhando pela floresta, e quando apareceu na sala, arrastando um outro urso -<em>que pela expressão de Joana deveria fazer parte de sua coleção de bichinhos, descoberta por Lucas</em>-, sorriu para José e disse <em>&#8220;Boa tádi&#8221;</em>, com um sorriso capaz de desarmar qualquer General do Exército, mas que na verdade só significava que ele havia encontrado uma nova vítima, José.</p>
<p>Ainda não era tarde, mas ninguém se atreveu a corrigir o pequeno, afinal, quando uma criança diz que já é &#8216;di tadi&#8217;, vai ser di tadi até que ela decida que o sol ou a lua deva aparecer novamente. Ainda mais se a criança tiver armas como choro, bochechas macias e dentes afiados.</p>
<p>É José&#8230; seu dia vai ser longo&#8230;</p>
<p><em>O Autor diz que não gosta de novelas, mas escrever em capítulos está se tornando interessante</em></p>
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		<title>Conto</title>
		<link>http://www.viniciuscosta.org/blog/2005/04/28/conto/</link>
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		<pubDate>Thu, 28 Apr 2005 17:56:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinicius Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Vida de José]]></category>

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		<description><![CDATA[Tudo sempre começa bem simples, uma simples amizade, um simples encontro, um simples sorriso. Na verdade, nada disso é &#8216;simples&#8216;, nenhuma dessas situações pode ser simplificada a tal ponto, independente do resultado, tudo é sempre mágico e nunca pode ser considerado como menos que isto. [Luz, câmera, ação!] *Sons de pássaros cantando* Lá está você, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tudo sempre começa bem simples, uma simples amizade, um simples encontro, um simples sorriso. Na verdade, nada disso é &#8216;<em>simples</em>&#8216;, nenhuma dessas situações pode ser simplificada a tal ponto, independente do resultado, tudo é sempre mágico e nunca pode ser considerado como menos que isto.</p>
<p><em><strong>[Luz, câmera, ação!]</strong></em></p>
<p>*<em>Sons de pássaros cantando</em>*</p>
<p>Lá está você, caminhando despreocupado por uma dessas ruas que pouco importa o nome, dessas ruas que só servem para se caminhar despreocupadamente, quando você vira em uma esquina e se depara com&#8230; &#8230; (curioso para saber o que aconteceu?) Nada! Afinal, o que você esperava? Encontrar o amor de sua vida numa ruazinha sem importância?</p>
<p>Você passa em frente ao prédio em que ela mora todos os dias, mas nunca a viu. Já entrou na mesma loja que ela no shopping, mas não percebeu que ela estava no provador de roupas. Já pegaram o mesmo elevador, mas ela havia descido um andar antes de você entrar, à noite procuravam afeto em salas de bate-papo, mas sempre que você entrava, ela tinha acabado de sair. Você decidia ir à boate e ela escolhia ler um livro, só para na noite seguinte ir à mesma boate que você, só porque você decidiu ler um livro nesse dia (que por sinal é o livro favorito dela).</p>
<p>Mas um dia alguém decidiu acabar com essa &#8216;<em>piada cósmica</em>&#8216; (você há de convir que é engraçado ver essa série de desencontros, mais engraçado ainda se você é quem decide o destino dos mortais), e ao passar pela mesma rua que só serve para se andar sem preocupações, você vira naquela mesma esquina sem importância e&#8230; &#8230; (hehehe gostei disso) Nada acontece de novo. Óbvio, porque eu já disse que nessa rua não acontece nada, nunca aconteceu e nem vai acontecer. Mas nessa esquina você vê um cartaz afixado na parede do botequim, falando sobre um show de uma banda que você nunca ouviu falar (e depois desse show, ninguém nunca mais vai ouvir falar também), e resolve ir já que não tem mais nada para fazer em uma sexta-feira à noite.</p>
<p><strong><em>[Pausa no filme, mas a trilha sonora continua rolando.]</em></strong></p>
<p><em>Que tipo de pessoa não tem o que fazer numa sexta-feira à noite? Essa é a pergunta que vocês estão fazendo? Pois eu respondo, você é esse tipo de pessoa, todos nós somos, nunca há nada para se fazer em uma sexta-feira, as pessoas apenas inventam coisas para se fazer, para não ficar com aquela sensação de vazio do tipo &#8220;Pô, todo mundo saiu e eu fiquei em casa vendo Globo Repórter&#8221;. Pergunta respondida, pode continuar o filme&#8230;</em></p>
<p><strong><em>[As pessoas começam a se mexer novamente]</em></strong></p>
<p>Ela recebeu por e-mail o aviso do show da banda, e achou que era melhor sair sozinha para pensar e curtir um show qualquer do que sair com as amigas, como sempre fazia. Sobre essa banda misteriosa, é apenas uma dessas bandas que surgem do nada apenas para proporcionar encontros de protagonistas de uma história, mas logo depois do show caem no esquecimento (até mesmo durante o show já estão esquecidas, já que ninguém presta atenção nelas).</p>
<p>E o show começou e acabou, os dois saíram de lá com uma estranha sensação de não ter ouvido música nenhuma (eles até ouviram, mas como a banda não tem importância para a história, então as músicas tocadas também pouco importam). Meio atordoados, se esbarraram quando estavam saindo do local, e se olharam rapidamente, pedindo desculpas, riram quando perceberam que falaram ao mesmo tempo, e em um súbito ato de coragem, você a convidou para passear por aí, conversando por ruas sem importância, em uma cidade que começava a perder toda a forma e conteúdo, pois tudo que você via em sua frente era ela.</p>
<p>E as ruas pareciam sem fim, pois a conversa se desenrolava sem obstáculos, e os dois distraídos caminham pelas ruas sem saber pra onde estão indo, e quando percebem&#8230; estão perdidos (nessa hora eu poderia colocar uma nave alienígena vindo raptá-la e ele tendo que ir resgatá-la, ou então uma gangue de arruaceiros tentando assaltá-los e ela revelando que na verdade é uma agente do FBI, mas isso só acontece em outras histórias, nessa aqui fica desse jeito&#8230;), mas não perdidos no sentido de não saber a localização (tudo bem que isso também, mas não vem ao caso), estavam perdidos de amor. Mas em algumas horas de conversa? Sim, em algumas horas de conversa, e uma vida inteira de espera por aquela pessoa.</p>
<p>E a partir daí, aquela simples rua, o simples show, uma simples caminhada e uma simples conversa, se tornam as coisas mais mágicas de todo o mundo, pois serviram ao propósito maior, que era te guiar para aquela pessoa.</p>
<p><em>O Autor vê filmes em sua mente, que nunca foram filmados, mas jura que não dá ouvidos às pessoas que só ele vê</em></p>
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