dezembro 24th, 2010BrainScape
Rabiscos e fotos: www.brainscape.com.br
É isso.
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É isso.
…Uma segunda-feira fria, tão fria quanto o mais frio dos ventos que sopravam naquela praça. Talvez ainda mais fria, com certeza mais solitária.
Ele queria paz, ela queria mais, ambos não se aguentavam mais… Na mesa ao lado, uma dupla de velhos amigos debate uma crônica, que por sinal foi muito mals escrita. Um deles começa a contar um conto que escreveu, e a explicar a simbologia existente na frase “carro velho no jaca”. Bêbados são divertidos… Duas mesas à frente, duas amigas fumam e bebem sucos. Lindas e solitárias, conversam, sorriem, mas parecem vazias, em busca de algo inatingível… Fumam tragando o tempo, uma esperando que a outra traga uma novidade… Uma espera vazia, interminável, infrutífera.
Estou há um tempo pensando em como as pessoas são inspiradas. Como alguém pode inspirar outra pessoa? Com idéias? Com ideais? Com ações? Textos bonitos ou frases de efeito? Difícil, diria até que quase impossível encontrar uma fórmula que possa inspirar todos ao mesmo tempo.
Pessoas diferentes se inspiram com coisas diferentes, e isso é óbvio porque elas são pessoas diferentes! Mas existem assuntos que conseguem fazer parte de um conjunto capaz de inspirar até pessoas com pensamentos opostos. Conquistas pessoais, a vitória de alguém que sofreu durante uma vida inteira… Isso sim inspira bastante gente, pelo simples fato de que eles também pensam estar passando por dificuldade e/ou acham que se aquela pessoa conseguiu superar todas as dificuldades, ela também é capaz. Mas isso é mentira, pois é, sinto muito lhe dizer, mas nem todos conseguem superar tudo. E o tempo também não cura tudo…
Mas não foi sobre isso que vim falar. Inspiração! Como inspirar pessoas? É preciso saber com quem você está falando, por isso eu diria que é até meio fácil fazer uma palestra para um público desses, pois já sabia o perfil de vocês antes mesmo de chegar aqui. Repare bem… De todas as palestras que vocês foram, as melhores foram as em que o palestrante falou individualmente com cada um de vocês. Podem lembrar…
É preciso uma conexão entre palestrante e platéia… E vocês podem achar isso óbvio, mas aposto que já foram a eventos que se arrependeram depois. Mas não foi sobre isso, exatamente, que eu vim aqui falar. Para inspirar é preciso estar inspirado, isso é óbvio? Talvez nem tanto para algumas pessoas que cismam em tentar vender uma idéia em que nem eles mesmo acreditam.
Acredito que a melhor forma de inspirar alguém é não tentar fazer isso. Encontre algo que realmente te envolva, entre de cabeça nessa profissão ou hobby, dedique-se. Quando você menos esperar, falará sobre aquilo com tamanha paixão que irá inspirar outras pessoas.
Um fato curioso sobre inspirar outras pessoas é que, na maioria dos casos, as pessoas até gostam de ver outras pessoas com problemas que parecem ser maiores que seus próprios. Mas será que a tragédia é realmente necessária? Você precisa sofrer ou se compadecer do sofrimento alheio para conseguir superar algo? A inspiração não pode vir do exemplo de alguém que já estava bem e ficou melhor? É preciso sofrer para que a lição seja válida? Me responda você… Você dá mais valor a histórias de sofrimentos e superação?
Vejam bem. Não confundam INSPIRAÇÃO com auto-ajuda. Auto-ajuda é apenas uma forma que alguns autores encontraram de vender seus livros com pensamentos que nem eles acreditam, inspirar uma pessoa é muito mais que isso, é realmente provocar mudanças na pessoa e por consequência no mundo.
E basta inspirar? Ou a inspiração é algo passageiro? E a motivação? Você possui alguma história que julga ser inspiradora para outras pessoas?
Essas palavras não resolverão nada, a intenção é apenas inspirar novos pensamentos… Se vai funcionar? Depende de quem vai ler.
Esse texto foi escrito na madrugada do dia 01 de Janeiro/2010 … E eu esqueci de publicar. É a idade chegando… Mas tá aí…
4 da manhã e eu ainda sem sono… Pode ser a adrenalina que ainda não deve ter se dissipado em meu organismo, afinal depois de 28 anos eu finalmente entro pras estatísticas cariocas de tentativa de assalto. Na verdade a estatística mais interessante é a do ladrão, que agora faz parte do time dos trouxas que não conseguem finalizar um assalto decentemente. O Zé ruela para ao meu lado enquanto eu estava iniciando o streaming de vídeo dos fogos de Copacabana e diz: “Aí cara, sem alarde, passa a carteira e celular que eu tô armado aqui.“, calmamente eu fechei o programa, travei o iPhone e o coloquei no bolso, olhando diretamente nos olhos do meliante – que aparentava ter seus 30 ou 40 anos – e perguntei “O que?“, ele continuou “Anda cara, tô armado e pode complicar pra você“, enquanto levantava rapidamente sua camisa na tentativa de me convencer que tinha uma pistola ali. Um tubo ou alguma espécie de cano pintado ele tinha, agora de forma alguma era a coronha de uma pistola.
Minha família estava a menos de 3 metros de mim, mas nem os vi na hora… Minha namorada já tinha corrido pra eles e falava que eu estas sendo assaltado quando eu falei com o assaltante “Não vou entregar porra nenhuma, tá maluco?” Isso sem desfazer o contato visual, sem rir e o mais importante sem me mijar nas calças. Não tive medo, ele não estava armado, só queria praticar um furto rápido sem que a pessoa tivesse tempo de raciocinar. Só que ele escolheu a pessoa errada, eu não ajo por impulso, sempre raciocino antes, eu sabia que não estava bem equilibrado para enfiar a muleta nas fuças do safado, e sabia que ele não queria perder tempo comigo, nisso ele fez um movimento para sair de perto, só que meu irmão já vinha correndo em nossa direção, e o cara partiu em disparada… Meu irmão, meu pai e minha mãe saíram correndo atrás do cara, cada um por seu próprio motivo, meu irmão achou que ele tinha levado minha máquina fotográfica, meu pai queria ajudar meu irmão e minha mãe queria parar os dois… Mesmo eu berrando que o cara não tinha levado nada, só depois de um tempo que eles voltaram… O cara fugiu, e deve estar pensando “maldito barba ruiva, fudeu com a minha noite…“, e eu me peguei pensando… A noite estava tranqüila, eu nunca tive medo de assalto no Rio de Janeiro, uso meu iPhone em qualquer lugar, ônibus, metrô, van… O que leva uma pessoa a ir pra uma festa dessas com o intuito de roubar e estragar a noite dos outros? Não me digam que é um problema social… Se fosse, se o cara roubasse por necessidade, não assaltaria na virada do ano, não durante os fogos, muito menos uma pessoa de muletas na areia da praia… Penso que aquele cidadão, 1,75m +ou- 60Kg, negro, bigode feito, cabelo cortado, roubava por uma vida fácil… Um predador sem fome, que rouba por costume e comodidade… Pura malandragem e espirito de porco, querendo levar vantagem em cima de quem teoricamente não poderia reagir…
Não nego de forma alguma que vivemos um problema social no Rio de Janeiro, mas parte desses assaltos não se resolverá com educação, parte desse problema não se resolverá com oportunidades de emprego… Porque hoje eu vi, ao olhar bem nos olhos do antagonista, que ele faz porque quer e continuará fazendo sempre que tiver oportunidade, seja pela certeza da impunidade, seja por ser inconsequente.
O problema é sempre mais amplo do que conseguimos ver… E é bem verdade que se pudesse, eu teria enfiado a porrada no ladrão, não vou negar. Mas sei que isso não resolveria nada… Então afinal, como resolver?
Se oriente meu irmão.

Não deixe que a rotina te engula, nem que o ócio lhe prenda. Se liberte sem medo.

Se oriente e encontre um novo caminho, pouco importa se é definitivo ou não. É sempre importante lembrar que a melhor parte é aproveitar o caminho que está sendo trilhado, ter em mente um objetivo, uma meta, mas deixar que esta chegue naturalmente, sem pressa.
Caso contrário, você nunca poderá apreciar a paisagem.
